INTRODUÇÃO
À FILOSOFIA, 60h
Ementa: Natureza e questões fundamentais da Filosofia. Correntes filosóficas: teorias da Filosofia Clássica e Medieval. Tendências filosóficas da contemporaneidade.
Introdução à Filosofia, disciplina do primeiro semestre do curso de Pedagogia, administrada pelo professor Luciano Santos. O primeiro texto discutido em sala de aula foi "A Filosofia transforma o homem" de Gilles Deleuze.
Ementa: Natureza e questões fundamentais da Filosofia. Correntes filosóficas: teorias da Filosofia Clássica e Medieval. Tendências filosóficas da contemporaneidade.
Introdução à Filosofia, disciplina do primeiro semestre do curso de Pedagogia, administrada pelo professor Luciano Santos. O primeiro texto discutido em sala de aula foi "A Filosofia transforma o homem" de Gilles Deleuze.
Atividades avaliativas nessa disciplina:
1ª Unidade - Resenha sobre: O conhecimento, mitologia e pensamento
filosófico;
2ª Unidade - Síntese dos assuntos: Ética - consciência, liberdade,
virtude, ideologia,...
3ª Unidade - Seminário em grupo sobre: Marx - Manifesto do Partido
Comunista.
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Estrutura da Resenha:
. Colocar no início da resenha a referência
bibliográfica do material a ser resenhado. Ex:
RODRIGUES, Alberto Tosi. Sociologia e Educação. Rio de Janeiro. D. Pia. 2003.
No caso de
ser resenhado um capítulo, deve-se colocar o título do capítulo.
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A Filosofia transforma o homem
A Filosofia é a arte de formar, de inventar, de fabricar conceitos. (Gilles Deleuze e Félix Guattari).
A Filosofia - amigo do saber.
A
Filosofia surgiu da inquietação do homem na busca de explicações para o
real. A busca de respostas sobre questões que dizem respeito à
compreensão da realidade e o que é o homem, a necessidade de encontrar
uma razão de ser para o mundo.
Filosofia - refletir questões para compreender as condições humanas.
Habilidades da Filosofia: arte de saber questionar; definir, captar o significado das coisas. Na etimologia, busca o significado da palavra na sua origem.
Paideia - educação, criação de meninos.
Entusiasmos - en (dentro) theos(divino) mos (cheio).
Sinceridade - sin (sem) ceridade (cera = máscara) ->sem máscara.
Argumentação - justificação da razão.
Desenvolver o senso crítico - analisar; capacidade de avaliar; discernir; julgar; distinguir as coisas; ponderar sobre o valor das coisas.
A palavra filosofia vem do grego antigo e é composta por philia, que significa amor ou amizade, e sophia, que quer dizer sabedoria. Portanto, a Filosofia é o amor pela sabedoria. Esse sentimento pelo saber não significa necessariamente que o filósofo é um sábio; ele está sempre buscando o saber, o conhecimento.
Definir Filosofia como o amor pela sabedoria é suficiente? Que tipo de sabedora deveria ser considerado? Sobre que espécie de temas se pode filosofar?
Deleuze(1988,p.39) afirmou numa entrevista concedida ao Magazine Littéraire em 1988(tradução brasileira, Conversações, p.170), que a filosofia consiste em inventar conceitos. E que nunca se preocupou com uma superação da metafísica ou uma morte da filosofia. Afirma ainda que a filosofia tem uma função que permanece perfeitamente atual, criar conceitos. Que ninguém pode fazer isso no lugar dela. E certamente a filosofia teve seus rivais, desde os "rivais" de Platão até o bufão de Zaratustra. O autor afirma ainda que hoje é a informática, a comunicação, a promoção comercial que se apropriam dos termos "conceito" e "criativo" (...).
Na Grécia Antiga, os primeiros pensadores estavam preocupados com os fenômenos da natureza e suas relações. Por exemplo, por que existem o dia e a noite? Por que sempre que termina o dia, começa a noite, depois vem o dia e, assim, sucessivamente? Por que as estações do ano se repetem na mesma ordem? Essas eram questões que os primeiros filósofos problematizavam.
Outro grande objeto de pensamento da Filosofia antiga é a moral. Como saber se algo é certo ou errado?
Discussão sobre o texto em sala de aula:
Qual a relação inicial da ciência com a filosofia e quando se dá a separação delas?
Na ordem do saber estipulada por Platão, o homem começa a conhecer pela forma imperfeita da opinião (doxa), depois passa para o grau mais avançado da ciência (episteme), quando se torna capaz de atingir o nível mais alto do saber filosófico.
A separação da ciência e a filosofia se dá a partir do século XVII com a revolução metodológica iniciada por Galileu que promove a autonomia da ciência.
A ciência tende para a especialização, a filosofia supera a fragmentação do real, para que o homem não sucumba à alienação do saber. A filosofia aborda seu objeto de estudo em todos os setores do conhecimento e da ação. A filosofia estabelece um elo entre as diversas formas do saber e do agir.
O que é filosofia de vida?
É quando o homem passa do senso comum para o bom senso. Quando ele deixa o preconceito e dogmático e se torna capaz de analisar sua experiência de vida cotidiana.
Como a filosofia de vida se distingue da filosofia especialista?
O filósofo especialista se interessa por um assunto que não interessa a qualquer pessoa, enquanto o objeto de estudo do filósofo, o interesse se estende a qualquer homem.
O que caracteriza a reflexão filosófica propriamente dita?
Retomar o próprio pensamento, pensar o já pensado, voltar para si mesmo e colocar em questão o que já se conhece.
O que significa dizer "a filosofia é inútil, mas necessária"?
A filosofia não serve para nenhuma alteração imediata de ordem pragmática. Ela é semelhante à arte, mas permite ao homem medir a dimensão dos fatos refletidos.
O mito e a Filosofia
O mito é uma narrativa que apesar de fantasiosa é entendido. O mito surge para entender os fenômeno da vida.
O Poder do Mito
As lendas e narrativas míticas não são produto de um autor ou autores, mas parte da tradição cultural e folclórica de um povo. Sua origem cronológica é indeterminada, e sua forma de transmissão é basicamente oral.
Filosofia - refletir questões para compreender as condições humanas.
Habilidades da Filosofia: arte de saber questionar; definir, captar o significado das coisas. Na etimologia, busca o significado da palavra na sua origem.
Paideia - educação, criação de meninos.
Entusiasmos - en (dentro) theos(divino) mos (cheio).
Sinceridade - sin (sem) ceridade (cera = máscara) ->sem máscara.
Argumentação - justificação da razão.
Desenvolver o senso crítico - analisar; capacidade de avaliar; discernir; julgar; distinguir as coisas; ponderar sobre o valor das coisas.
A palavra filosofia vem do grego antigo e é composta por philia, que significa amor ou amizade, e sophia, que quer dizer sabedoria. Portanto, a Filosofia é o amor pela sabedoria. Esse sentimento pelo saber não significa necessariamente que o filósofo é um sábio; ele está sempre buscando o saber, o conhecimento.
Definir Filosofia como o amor pela sabedoria é suficiente? Que tipo de sabedora deveria ser considerado? Sobre que espécie de temas se pode filosofar?
Deleuze(1988,p.39) afirmou numa entrevista concedida ao Magazine Littéraire em 1988(tradução brasileira, Conversações, p.170), que a filosofia consiste em inventar conceitos. E que nunca se preocupou com uma superação da metafísica ou uma morte da filosofia. Afirma ainda que a filosofia tem uma função que permanece perfeitamente atual, criar conceitos. Que ninguém pode fazer isso no lugar dela. E certamente a filosofia teve seus rivais, desde os "rivais" de Platão até o bufão de Zaratustra. O autor afirma ainda que hoje é a informática, a comunicação, a promoção comercial que se apropriam dos termos "conceito" e "criativo" (...).
Na Grécia Antiga, os primeiros pensadores estavam preocupados com os fenômenos da natureza e suas relações. Por exemplo, por que existem o dia e a noite? Por que sempre que termina o dia, começa a noite, depois vem o dia e, assim, sucessivamente? Por que as estações do ano se repetem na mesma ordem? Essas eram questões que os primeiros filósofos problematizavam.
Outro grande objeto de pensamento da Filosofia antiga é a moral. Como saber se algo é certo ou errado?
Discussão sobre o texto em sala de aula:
Qual a relação inicial da ciência com a filosofia e quando se dá a separação delas?
Na ordem do saber estipulada por Platão, o homem começa a conhecer pela forma imperfeita da opinião (doxa), depois passa para o grau mais avançado da ciência (episteme), quando se torna capaz de atingir o nível mais alto do saber filosófico.
A separação da ciência e a filosofia se dá a partir do século XVII com a revolução metodológica iniciada por Galileu que promove a autonomia da ciência.
A ciência tende para a especialização, a filosofia supera a fragmentação do real, para que o homem não sucumba à alienação do saber. A filosofia aborda seu objeto de estudo em todos os setores do conhecimento e da ação. A filosofia estabelece um elo entre as diversas formas do saber e do agir.
O que é filosofia de vida?
É quando o homem passa do senso comum para o bom senso. Quando ele deixa o preconceito e dogmático e se torna capaz de analisar sua experiência de vida cotidiana.
Como a filosofia de vida se distingue da filosofia especialista?
O filósofo especialista se interessa por um assunto que não interessa a qualquer pessoa, enquanto o objeto de estudo do filósofo, o interesse se estende a qualquer homem.
O que caracteriza a reflexão filosófica propriamente dita?
Retomar o próprio pensamento, pensar o já pensado, voltar para si mesmo e colocar em questão o que já se conhece.
O que significa dizer "a filosofia é inútil, mas necessária"?
A filosofia não serve para nenhuma alteração imediata de ordem pragmática. Ela é semelhante à arte, mas permite ao homem medir a dimensão dos fatos refletidos.
O mito e a Filosofia
O mito é uma narrativa que apesar de fantasiosa é entendido. O mito surge para entender os fenômeno da vida.
Os
mitos fantasiavam as ilhas e os mares com deuses, monstros e criaturas
fantásticas, cenas que enriqueciam, mas ao mesmo tempo, fugiam à
realidade do povo grego.
No
entanto, desde o inicio das viagens marítimas, essas narrativas foram
se desmistificando. Somado a isso, a escrita alfabética, o calendário e a
moeda foram elementos que contribuíram para o crescimento da
racionalidade entre os gregos, de modo que começavam, então, a se
apropriar de sua vida cotidiana, sem precisar recorrer aos mitos para se
orientar sobre o tempo, sobre o que fazer, de que modo fazer ou como
pensar.
Antes
de se organizarem em pólis, os gregos já viviam junto, em famílias e em
grupo. Entretanto, o destino desses agrupamentos, segundo suas crenças,
era entregue mas mãos dos deuses, que decidiam se a colheita do ano
seria farta ou escassa, se os seres humanos seriam felizes ou
desafortunados.
Nesse
contexto, nasce, principalmente, a política como fator de apropriação
do ser humano pela sua própria organização e destino. Com a pólis, a
vida urbana se desenvolve, o espaço público é ocupado, o comércio se
intensifica e a aristocracia começa a perder seu poder.
Atenas
passa a ser o centro da democracia. Os gregos passam a ser cidadãos. A
democracia era direta, ou seja, não havia representantes eleitos. Os
cidadãos compareciam às assembleias, na praça pública, a ágora,
para deliberar , diretamente, sobre as questões pertinentes à
sociedade.No entanto, nem todos eram considerados cidadãos. Foram
excluídos do direito à cidadania aqueles que eram dependentes, de alguma
maneira: as mulheres, dependentes dos homens; os escravos, dependentes
dos seus donos; as crianças, dependentes dos seus pais; e os idosos,
dependentes dos seus filhos. Além desses, os estrangeiros também não
tinham direitos políticos, pois, se tivessem, poderiam decidir algo em
favor de seu povo e contra Atenas. Na ágora, era preciso decidir por si
mesmo, sem se deixar influenciar por ninguém que tivesse mais poder.
Desse modo, com o desenvolvimento da pólis grega, a Filosofia também acompanha, à sua maneira, os problemas que a sociedade colocava a si mesma.
O Mito e a criação
Desse modo, com o desenvolvimento da pólis grega, a Filosofia também acompanha, à sua maneira, os problemas que a sociedade colocava a si mesma.
O Mito e a criação
Primeiro
nasceu Caos, a existência indistinta; depois nasceram a (Terra) Gaia e
Eros.[...] Caos gerou a Noite, que gerou o Dia. A Terra gerou o (Céu) Urano e gerou os Titãs, as Montanhas e o Mar; uniu-se ao (Céu) Urano e
gerou os Titãs, Réia, Têmis, Memória, os Ciclopes, fabricantes do raio,
os Gigantes de cinquenta cabeças e cem braços, e Cronos, (o Tempo).
Guiados
por Eros, os deuses se reproduzem: há os filhos da Noite, entre os
quais estão a Morte, o Sono, os Sonhos e as Parcas, divindades do
destino, de cujos desígnios nem os deuses escapavam.
O
(Céu) Urano detestava os filhos, e os escondia da Terra; até que ela,
atulhada, criou uma foice e deu-a a seus filhos, para que castrassem o
pai. Todos ficaram com medo, mas Cronos foi o único que aceitou a missão, e, ao
entardecer, quando o Céu se deitava junto com a Terra, a cumpriu.
A
partir daí, começa o domínio da segunda geração de deuses, encabeçados
por Cronos. Cronos sabia que ia ter um destino semelhante ao do seu pai.
Ser destronado por um de seus filhos; então, os engolia à medida que
iam nascendo do ventre de Réia. Foi assim com Hera, Deméter, Héstia,
Hades e Posêidon; quando Zeus nasceu, Réia deu uma pedra para Cronos e
cumpriu o destino de destronar o pai.
O
domínio de Zeus marca a terceira geração de deuses. Ele repartiu o
mundo com seus irmãos. Posêidon ficou com os mares, Hades com o mundo
subterrâneo, e a ele próprio coube o Céu. Essa geração também teve
muitos filhos. De Zeus e Deméter nasceu Perséfone: de sua união com
Memória nasceram as Musas; com Leto, Apolo e Artemis; com Hera, Ares,
Hebe e Ilítia; com Maia, Hermes; com Sêmele, Dionísio. Mas a primeira
esposa de Zeus, Métis, a Astúcia, foi engolida por ele, porque estava
destinada a dar a luz dois filhos: um era Atena, e outro seria aquele
que destronaria seu pai. Zeus engoliu Métis e ficou astucioso e gerou
Palas Atenas que nasceu de sua cabeça.
Hesíodo. Teogonia (fragmentos)
O
Mito possui uma infinidades de significados ocultos que nos estimulam
na compreensão do que somos, construindo na nossa mente uma diversidade
de interpretação das nossas ações. É nisso que reside a sua força e o
seu poder; ele é uma espécie de memória da humanidade. Seus significados
oferecem diferentes respostas às necessidades de todos os homens,
conferindo-lhes um caráter de universalidade.
O pensamento mítico consiste em uma forma pela qual um povo explica aspectos essenciais da realidade em que vive: a origem do mundo, o funcionamento da natureza e dos processos naturais e as origens deste povo, bem como seus valores básicos. O mito caracteriza-se sobretudo pelo modo como estas explicações são dadas, ou seja, pelo tipo de discurso que constitui.
O pensamento mítico consiste em uma forma pela qual um povo explica aspectos essenciais da realidade em que vive: a origem do mundo, o funcionamento da natureza e dos processos naturais e as origens deste povo, bem como seus valores básicos. O mito caracteriza-se sobretudo pelo modo como estas explicações são dadas, ou seja, pelo tipo de discurso que constitui.
As lendas e narrativas míticas não são produto de um autor ou autores, mas parte da tradição cultural e folclórica de um povo. Sua origem cronológica é indeterminada, e sua forma de transmissão é basicamente oral.
Por
volta do século VIII a.C., Homero (A Ilíada e a Odisséia) e Hesíodo (O
Trabalho e os Dias) arquivaram por escrito, boa parte da mitologia
grega.
Interpretações de algumas passagens e personagens dos poemas de Homero:
A Ilíada é o jogo da vida. Tróia é a nossa luta. O herói, Aquiles
é aquele que assume o jogo e se põe a caminho, onde tantos recuam por
medo, preguiça, insegurança. Ir à Tróia, exige desapego, coragem, força,
desejo de ultrapassar os limites e o conforto dos muros da vida privada
para construir uma história individual, uma personalidade.
Episódios como a construção de Cavalo de Tróia ou a vitória de Ulisses sobre o Ciclope, sugerem a inteligência prevalecendo sobre a força física. As deusas Afrodite, Hera e Atena nos fazem refletir sobre os grandes desejos de realização humana: a busca do belo, do poder e da sabedoria.
Penélope
é a nossa consciência, aquela que nos toca, nos sensibiliza com a sua
lembrança, não nos deixando ser egoístas. Mostra-nos que a superação da
ordem exigem criatividade, trabalho, esperança, paciência e consciência.
O rei Menelau nos lembra limites; o príncipe Páris, nos fala de transgressão; o Canto das Sereias nos alerta sobre a força do desejo.
A Odisséia de Ulisses
traduz a caminhada humana, com seus tropeços, suas tentações e a
impressão de estar se desviando do caminho, a dificuldade de compreender
seu sentido.
O
mito não pretende nos dar um conhecimento definido, não podendo ser
lido ou compreendido de forma objetiva. Ele não se traduz num conceito,
nos convida a pensar, estimulando-nos à direção, à infinitude dos seus
significados.
O MITO DA CAVERNA
texto da disciplina Introdução à Filosofia, a ser discutido em sala de aula: "Do Mito à Razão: O nascimento da Filosofia na Grécia Antiga".
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"Do Mito à Razão: O nascimento da Filosofia na Grécia Antiga".
DEFESA DE SÓCRATES OU APOLOGIA DE SÓCRATES
1- Não acreditar nos costumes e nos deuses gregos;
2- Unir-se a deuses malignos que gostam de destruir as cidades;
3- Corromper jovens com suas ideias.
Sócrates aceitou a sua sentença de morte, apesar de considerá-la injusta e despropositada. Morrer para Sócrates significava fechar com chave de ouro as portas de sua existência, toda voltada para o ensinamento filosófico, demonstrando que a vida sem liberdade de expressão não vale a pena. Enfim, significava dizer que o homem deveria ser livre até para escolher a sua morte.
Sócrates preferiu morrer, mas permanecendo com suas ideias.
A METAFÍSICA DE ARISTÓTELES
O mito é, portanto,
essencialmente fruto de uma tradição cultural e não da elaboração de um
determinado indivíduo. Mesmo poetas como Homero, com a Ilíada e a Odisseia (séc. IX a.C.), e Hesíodo
(séc. VIII a.C.), com a Teogonia,
que são
as principais fontes de nosso conhecimento dos mitos gregos, na verdade não são
autores desses mitos, mas indivíduos – no caso de Homero cuja existência é talvez
lendária – que registraram poeticamente lendas recolhidas das tradições dos
diversos povos que sucessivamente ocuparam a Grécia desde o período arcaico (c. 1500 a.C.).
O MITO DA CAVERNA
Alegoria da Caverna
Na
alegoria da caverna que se encontra no Livro VII de A República, Platão
revelou de modo metafórico, sua teoria sobre o conhecimento, cuja busca
se deu por meio da Filosofia. Para isso, construiu um diálogo entre
Sócrates e seu discípulo Glauco. Sócrates lhe propõe a imaginar uma
caverna subterrânea, onde estão acorrentados homens desde a sua
infância, acreditando que a única realidade eram as sombras de objetos
variados projetadas na parede. Havia uma fogueira na entrada da caverna,
que a iluminava de modo a possibilitar a projeção das sombras. Como os
homens presos nunca saíram da caverna, não conheciam outra realidade,
senão aquela que podiam ver: as sombras dos objetos, que eram
projetados na parede do fundo da caverna. Do lado de fora, passavam
homens com títeres (espécie de fantoches), manipulando os objetos que
eram projetados nas paredes da caverna: sombras de bonecos de homens,
figuras de animais de pedra, objetos de madeiras etc.
Entretanto,
um dos prisioneiros - supôs Sócrates - teve a oportunidade de se
libertar das próprias correntes. O que ele fez? Seu corpo devia estar
dolorido pelas correntes atadas a seus braços, pescoço e pernas durante
muito tempo. Ele superava a dor. A saída da caverna era de difícil
acesso. Contudo, ele se esforçava muito e conseguiu sair. Chegando ao
lado de fora, ele ficou temporariamente cego, devido à luminosidade que
atingia seus olhos, acostumados com a penumbra da caverna. Aos poucos
seus olhos iam se habituando com a claridade do Sol, e ele podia, então,
contemplar a realidade.
Sócrates
continua com suas suposições: e se ele voltasse para a caverna,
contasse aos outros prisioneiros sua descoberta do mundo verdadeiro que
está lá fora e libertasse seus companheiros? Certamente seria
considerado um louco e tentariam matá-lo.
Platão e a Caverna
Platão
interpretava essa alegoria da seguinte maneira: a caverna subterrânea
era o mundo visível aparente. O conhecimento, nesse mundo, é limitado
pelos sentidos, e, por isso, só se podia conhecer a aparência das
coisas, ou seja, o superficial. O acorrentado que se libertava se
dirigia à região superior e contemplava as coisas: era a alma que se
elevava ao mundo inteligível no qual, residia a verdade. A luz do Sol
iluminava o conhecimento verdadeiro.
A
alegoria da caverna revela de forma mítica e imagética, a própria
filosofia platônica, ou seja, a nova ordem ideal de sustentação do
cosmos e, por conseguinte, a nova hierarquia de seres. O conhecimento do
indivíduo comum limita-se à percepção, enquanto o filósofo busca o
ideal supremo do Bem, superando por meio da reflexão e da
autointerrogação, as limitações impostas pelos sentidos.
O
importante compreender nessa alegoria é que a imagem do Sol
corresponde, em termos de analogia, a ideia do Bem supremo. Do mesmo
modo que a luz do sol torna possível devido à existência do Bem em si.
Em
resumo, Platão utilizou a linguagem mítica (o Mito da Caverna), para
mostrar o quanto os cidadãos estavam presos a certas crendices e
superstições.
A
história narra a vida de alguns homens que nasceram e cresceram presos
dentro de uma caverna, voltados para o fundo dela. Ali contemplava uma
réstia de luz que refletia sombras no fundo da parede. Esse era o seu
mundo. Certo dia um deles conseguiu soltar-se e voltou-se para o lado de
fora da caverna e logo ficou cego momentaneamente, devido à claridade
da luz. E aos poucos, melhorando a visão, vislumbrou outro mundo com
natureza, cores, imagens diferentes do que estava acostumado a ver.
Voltou para dentro da caverna para narrar o fato a seus amigos, que não
acreditaram nele e revoltados com a mentira, o mataram.
Explicando:
a alegoria da caverna nos mostra dois mundos. O primeiro mundo é da
imperfeição, da incerteza, não sabemos quem somos, de onde viemos e se
estamos sozinhos no Universo. Acreditamos naquilo que vemos, sem
contestar, interpretamos tudo a nossa maneira, sem querer mudar,
acomodado no mundo que criamos e achamos ser o perfeito.
O
segundo mundo é o mundo das ideias verdadeiras. Para Platão não devemos
valorizar coisas materiais e devemos nos libertar do que nos é imposto,
como por exemplo: a televisão é como a caverna que nos impõe às suas
imagens nos tornando escravos do que a mídia quer que utilizemos
texto da disciplina Introdução à Filosofia, a ser discutido em sala de aula: "Do Mito à Razão: O nascimento da Filosofia na Grécia Antiga".
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"Do Mito à Razão: O nascimento da Filosofia na Grécia Antiga".
"Advento
da Pólis,nascimento da filosofia:entre as duas ordens de fenômenos os
vínculos são demasiado estreitos para que o pensamento racional não
apareça, em suas origens, solidário das estruturas sociais e mentais
próprias da cidade grega". [Jean-Pierre Vernant].
Sabemos
que os primeiros filósofos da humanidade foram gregos. Isso significa
que embora tenhamos referências de grandes homens na China (Confúcio, Lao Tsé), na Índia (Buda), na Pérsia (Zaratustra),
suas teorias, ainda estão por demais vinculadas à religião para que se
possa falar propriamente em reflexão filosófica. Portanto, o segundo
texto da disciplina Introdução à Filosofia, a ser discutido em sala de
aula foi "Do Mito à Razão: O nascimento da Filosofia na Grécia Antiga".
Periodização da história da Grécia Antiga
• Civilização micênica
- desenvolve desde o início do segundo milênio a. C. e tem esse nome
pela importância da cidade de Micenas, de onde no século XII a. C.,
partem Agamenon, Aquiles e Ulisses para sitiar e conquistar Troia.
• Tempos homéricos
(séculos XII a VIII a.C.) - são assim chamados, porque nesse período
teria vivido Homero (século IX ou VIII). Na fase de transição de um
mundo essencialmente rural, o enriquecimento dos senhores faz surgir a
aristocracia proprietária de terras e o desenvolvimento do sistema
escravista.
• Período arcaico
(séculos VIII a VI a.C.) - grandes alterações sociais e políticas com o
advento das cidades-estados (pólis) e desenvolvimento do comércio e
consequente movimento de colonização grega.
• Período clássico
(séculos V e IV a.C.) - apogeu da civilização grega. Na política,
expressão da democracia ateniense; explosão das artes, literatura e
filosofia. Época em que viveram os sofistas, Sócrates, Platão e
Aristóteles.
• Período helenístico
(séculos III e II a.C.) - decadência política da Grécia, com o domínio
macedônico e conquista pelos romanos. Culturalmente se dá a influência
das civilizações orientais.
A concepção mítica
As epopéias - Os mitos gregos eram recolhidos pela tradição e transmitidos pelos aedos os e rapsodos, cantores
ambulantes que davam forma poética aos relatos populares e os recitavam
de cor na praça pública. Era difícil conhecer os autores de tais
trabalhos, porque no mundo em que predomina a consciência mítica não
existe a preocupação com a autoria da obra, já que o anonimato é a
consequência do coletivismo, fase em que ainda não se destaca a
individualidade. Além disso, não havia a escrita para fixar obra e
autor.
Por
esse motivo há controvérsia a respeito da época em que teria vivido
Homero, um desses poetas, e até se ele realmente teria existido (séc. IX
a.C.). É costume atribuir-lhe a autoria de dois poemas épicos
(epopéias):Ilíada, que trata da guerra de Tróia (Tróia em grego é Ílion), e Odisséia, que relata o retorno de Ulisses à Ítaca, após à guerra de Tróia (Odisseus é o nome grego de Ulisses).
As
epopéias tiveram função didática na vida dos gregos porque descrevem o
período da civilização micênica e transmitem os valores da cultura por
meio das histórias dos deuses e antepassados, expressando uma
determinada concepção de vida.
As
ações heroicas relatadas nas epopéias mostram a constante intervenção
dos deuses, ora para auxiliar um protegido seu, ora para perseguir um
inimigo. O homem homérico é presa do Destino (Moira), que é fixo,
imutável, e não pode ser alterado. Até distúrbios psíquicos como o
desvario momentâneo de Agamenon são atribuídos à ação divina. É nesse
sentido que Heitor fala:"Ninguém me lançará ao Hades contra as ordens do
destino! Garanto-te que nunca homem algum, bom ou mau, escapou ao seu
destino, desde que nasceu!" - Hades:Mundo dos Mortos (Infernos).
O
herói vive portanto, na dependência dos deuses e do destino, faltando a
ele a nossa noção de vontade pessoal de livre-arbítrio. Mas isto não o
diminui diante dos homens comuns. Por ter sido escolhido pelos deuses é
sinal de valor e em nada tal ajuda desmerece a sua virtude.
A
virtude do herói se manifesta pela coragem e pela força, sobretudo no
campo de batalha, também na assembleia, no discurso, pelo poder de
persuasão. O preceptor de Aquiles diz:" Para isso me enviou, a fim de
eu te ensinar tudo isto, a saber fazer discursos e praticar nobres
feitos"(Citação da Ilíada e Odisséia). Nessa perspectiva, a noção de
virtude não deve ser reconhecida como o conceito moral de virtude, mas
como excelência, superioridade, alvo supremo do herói. Trata-se da
virtude do guerreiro belo e bom.
A teogonia
Hesíodo,
outro poeta que teria vivido por volta do final do século VIII e
princípios do VII produz uma obra com características e particularidades
que tendem a superar a poesia impessoal e coletiva das epopéias.
Sua obra Teogonia (teo: deus; gonia:
origem) reflete ainda a preocupação com a crença nos mitos. Nela,
Hesíodo relata as origens do mundo e dos deuses, e as forças que surgem
não são a pura natureza, mas sim, as própris divindades: Gaia é a Terra, Urano é o Céu, Cronos é o Tempo, surgindo ora por segregação, ora pela intervenção de Eros, princípio que aproxima os opostos.
Discussão sobre o texto em sala de aula:
Como se deu a passagem do mito à razão? - O mito expressa a realidade por meio de cosmogonias e teogonias. A filosofia é uma cosmologia.
O que são cosmogonias? - são narrativas sobre o nascimento do cosmos, na tentativa de explicar a origem das coisas existentes.
O que são teogonias? - são narrativas sobre o nascimento e a origem dos deuses. A palavra "gonia" se refere à criação, geração, origem.
A diferença entre o mito e a razão ocidental se dá com a transformação da comogonia para a cosmologia. A "logia" se refere à lógica, ao pensamento baseado e estruturado pelo uso da razão.
A concepção filosófica
É no período arcaico que surgem os primeiros filósofos gregos, por volta de fins do século VII a.C. e durante o século VI a. C. Algumas novidades surgidas nesse período ajudaram a transformar a visão que o homem mítico tinha do mundo e de si mesmo. São elas, a invenção da escrita, o surgimento da moeda, a lei escrita, o surgimento da pólis (cidade-estado), todas tornando-se condição para o surgimento do filósofo.
A escrita - Nas culturas de tradição oral, onde ainda não há escrita,predomina a consciência mítica. É interessante observar que mythos significa "palavra", "o que se diz". A palavra antes da escrita, ligada a um suporte vivo que a pronuncia, repete e fixa por meio da memória pessoal. Etimologicamente, epopéia significa "o que se exprime pela palavra" e lenda é "o que se conta".
De início, a escrita é mágica e reservada aos privilegiados, aos sacerdotes e aos reis. Entre os egípcios, por exemplo, hieróglifos significa literalmente "sinais divinos".
Na Grécia, a escrita surge por influência dos fenícios e já no século VIII a.C. se acha suficientemente desligada de preocupações esotéricas e religiosas. Enquanto os rituais religiosos são cheios de fórmulas mágicas, termos fixos e inquestionados, os escritos deixam de ser reservados apenas aos que detêm o poder e passam a ser divulgados em praça pública, sujeitos a discussão e à crítica. Isso não significa que a escrita tenha se tornado acessível a todos. Muito pelo contrário, permanece ainda grande o número de analfabetos.
A escrita gera uma nova idade mental, porque exige de quem escreve uma postura diferente daquela de quem apenas fala. Como a escrita fixa a palavra, e consequentemente o mundo, para além de de quem a proferiu, necessita de mais rigor e clareza, o que estimula o espírito crítico.
A escrita aparece como possibilidade maior de abstração, uma reflexão da palavra que tenderá a modificar a própria estrutura do pensamento.
A moeda - Por volta do século VIII a.C. houve o desenvolvimento do comércio marítimo decorrente da expansão do mundo grego mediante a colonização da Magna Grécia (atual sul da Itália) e Jônia (atual Turquia). O enriquecimento dos comerciantes promoveu profundas transformações com a substituição dos valores aristocráticos pelos valores da nova classe em ascensão.
Quando predominava a aristocracia rural, cuja riqueza se baseava em terras e rebanhos, a economia era pré-monetária e os objetos usados para troca vinham carregados de simbologia afetiva e sagrada, decorrente da posição social ocupada por homens considerados superiores e de caráter sobrenatural que impregnava as relações sociais.
A fim de facilitar os negócios, a moeda que tinha sido inventada na Lídia, aparece na Grécia por volta do século VII a.C. A moeda torna-se necessária porque, com o comércio, os produtos, que antes eram feitos com o valor de uso, passam a ter valor de troca, ou seja, transformam em mercadoria. Daí a exigência de algo que funcionasse com valor equivalente universal das mercadorias.
A invenção da moeda desempenha papel revolucionário, pois está vinculada ao nascimento do pensamento racional. Isso porque passa a ser emitida e garantida pela Cidade, revertendo benefícios para a própria comunidade. Além do efeito político de democratização, a moeda sobrepõe aos símbolos sagrados e afetivos o caráter racional de sua concepção: muito mais do que um metal precioso que se troca por qualquer mercadoria, a moeda é um artifício racional, uma convenção humana, uma noção abstrata de valor que estabelece a medida comum entre valores diferentes.
A Lei escrita - Drácon (séc. VII a.C.), Sólon e Clístenes (séc.VI a.C.) são os primeiros legisladores que marcam uma nova era: a justiça, até então dependente da arbitrariedade dops reis ou da interpretação da vontade divina, é codificada numa legislação escrita. A lei escrita passa a encarnar uma dimensão propriamente humana.
As reformas provocadas pela legislação de Clístenes fundam a pólis sobre uma base nova: a antiga organização tribal é abolida e estabelecem-se as novas relações, não mais baseadas na consanguinidade, mas determinadas por nova organização administrativa.
O cidadão da pólis - Jean-Pierre Vernant, helenista e pensador francês, vê no nascimento da pólis (por volta dos séculos VIII e VII a.C.) um acontecimento decisivo que "marca um começo, uma verdadeira invenção" que provocou grandes alterações na vida social e nas relações entre os homens.
A originalidade da cidade grega é que ele está centralizada na ágora (praça pública), espaço onde se debatem os problemas de interesse comum. Está sendo elaborado o novo ideal de justiça, pelo qual todo cidadão tem direito ao poder. A nova noção de justiça assume caráter político, e não apenas moral,ou seja, ela não diz respeito apenas ao indivíduo e aos interesses da tradição familiar, mas se refere à sua atuação na comunidade.
A pólis se faz pela autonomia da palavra, não mais a palavra mágica dos mitos, palavra dada pelos deuses e, portanto comum a todos, mas a palavra humana do conflito, da discussão, da argumentação. O saber deixa de ser sagrado e passa a ser objeto de discussão.
A expressão da individualidade por meio do debate faz nascer a política, libertando o homem dos desígnios divinos e permitindo a ele tecer seu destino na praça pública. Portanto, o cidadão da pólis participa dos destinos da cidade por meio de uso da palavra em praça pública. Mas para que isso fosse possível, desenvolveu-se uma nova concepção a respeito das relações entre os homens, não mais de submissão e domínio. Ou seja, "os que compõem a cidade, por mais diferentes que sejam, por sua origem, sua classe, sua função, aparecem de uma certa maneira 'semelhantes' uns aos outros". De início, a igualdade existe apenas entre os guerreiros, mas essa imagem do mundo humano no século VI, muda com a expressão rigorosa num conceito, o de isonomia: "igual participação de todos os cidadãos no exercício do poder".
O apogeu da democracia ateniense se dá no século V a.C., já no período clássico, quando Péricles era estratego. Atenas possuía meio milhão de habitantes dos quais 300 mil eram escravos e 50 mil metecos (estrangeiros); excluídas as mulheres e as crianças, restavam apenas 10% considerados cidadãos, propriamente ditos, capacitados para decidir por todos.
Ao se falar em democracia ateniense, deve-se lembrar que a maior parte da população se achava excluída do processo político. Aliás, quanto mais se desenvolvia a ideia de cidadão ideal, com a consolidação da democracia, mais a escravidão surgia como contraponto indispensável, na medida em que ao escravo eram reservadas as tarefas consideradas "menores" dos trabalhos manuais e da luta pela sobrevivência.
O nascimento do filósofo - Os primeiros filósofos vieram por volta do século VI a.C. e, mais tarde foram classificados como pré-socráticos (a divisão da filosofia grega se centraliza na figura de Sócrates) e agrupados em diversas escolas. Por exemplo, escola jônica (Tales, Anaximandro, Anaxímenes, Heráclito,Empédocles), escola itálica (Pitágoras), escola eleática (Xenófanes, Parmênides, Zenão), escola atomista (Leucipo e Demócrito).
Os escritos dos filósofos pré-socráticos desapareceram com o tempo, só nos restam alguns fragmentos ou referências feitas por filósofos posteriores. Escreviam em prosa, abandonando a forma poética, características das epopeias, dos relatos míticos.
É interessante notar que, enquanto Hesíodo ao relatar o princípio do mundo (cosmogonia) e dos deuses (teogonia), refere-se a sua gênese ou origem, as preocupações dos primeiros pensadores levam à elaboração de uma cosmologia, pois procuram a racionalidade do universo. Isso significa que, ao perguntarem como seria possível emergir do Caos um "cosmos", ou seja, como da confusão inicial, surgiu um mundo ordenado, os pré-socráticos procuram o princípio (a arché) de todas as coisas, não como acontece no tempo, mas como fundamento do ser. Buscar a arché é explicar a qual é o elemento constitutivo de todas as coisas.
As respostas dos filósofos quanto à questão do fundamento das coisas são as mais variadas. Cada um descobre a arché, a unidade que pode explicar a multiplicidade:para Tales é a água; para Anaxímenes é o ar;para Demócrito é o átomo; para Empédocles, os famosos quatro elementos, terra, água, ar e fogo teoria aceita até o século XVIII, quando foi criticada por Lavoisier.
Texto da próxima aula: "Defesa de Sócrates" ou "Apologia de Sócrates".
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------Como se deu a passagem do mito à razão? - O mito expressa a realidade por meio de cosmogonias e teogonias. A filosofia é uma cosmologia.
O que são cosmogonias? - são narrativas sobre o nascimento do cosmos, na tentativa de explicar a origem das coisas existentes.
O que são teogonias? - são narrativas sobre o nascimento e a origem dos deuses. A palavra "gonia" se refere à criação, geração, origem.
A diferença entre o mito e a razão ocidental se dá com a transformação da comogonia para a cosmologia. A "logia" se refere à lógica, ao pensamento baseado e estruturado pelo uso da razão.
A concepção filosófica
É no período arcaico que surgem os primeiros filósofos gregos, por volta de fins do século VII a.C. e durante o século VI a. C. Algumas novidades surgidas nesse período ajudaram a transformar a visão que o homem mítico tinha do mundo e de si mesmo. São elas, a invenção da escrita, o surgimento da moeda, a lei escrita, o surgimento da pólis (cidade-estado), todas tornando-se condição para o surgimento do filósofo.
A escrita - Nas culturas de tradição oral, onde ainda não há escrita,predomina a consciência mítica. É interessante observar que mythos significa "palavra", "o que se diz". A palavra antes da escrita, ligada a um suporte vivo que a pronuncia, repete e fixa por meio da memória pessoal. Etimologicamente, epopéia significa "o que se exprime pela palavra" e lenda é "o que se conta".
De início, a escrita é mágica e reservada aos privilegiados, aos sacerdotes e aos reis. Entre os egípcios, por exemplo, hieróglifos significa literalmente "sinais divinos".
Na Grécia, a escrita surge por influência dos fenícios e já no século VIII a.C. se acha suficientemente desligada de preocupações esotéricas e religiosas. Enquanto os rituais religiosos são cheios de fórmulas mágicas, termos fixos e inquestionados, os escritos deixam de ser reservados apenas aos que detêm o poder e passam a ser divulgados em praça pública, sujeitos a discussão e à crítica. Isso não significa que a escrita tenha se tornado acessível a todos. Muito pelo contrário, permanece ainda grande o número de analfabetos.
A escrita gera uma nova idade mental, porque exige de quem escreve uma postura diferente daquela de quem apenas fala. Como a escrita fixa a palavra, e consequentemente o mundo, para além de de quem a proferiu, necessita de mais rigor e clareza, o que estimula o espírito crítico.
A escrita aparece como possibilidade maior de abstração, uma reflexão da palavra que tenderá a modificar a própria estrutura do pensamento.
A moeda - Por volta do século VIII a.C. houve o desenvolvimento do comércio marítimo decorrente da expansão do mundo grego mediante a colonização da Magna Grécia (atual sul da Itália) e Jônia (atual Turquia). O enriquecimento dos comerciantes promoveu profundas transformações com a substituição dos valores aristocráticos pelos valores da nova classe em ascensão.
Quando predominava a aristocracia rural, cuja riqueza se baseava em terras e rebanhos, a economia era pré-monetária e os objetos usados para troca vinham carregados de simbologia afetiva e sagrada, decorrente da posição social ocupada por homens considerados superiores e de caráter sobrenatural que impregnava as relações sociais.
A fim de facilitar os negócios, a moeda que tinha sido inventada na Lídia, aparece na Grécia por volta do século VII a.C. A moeda torna-se necessária porque, com o comércio, os produtos, que antes eram feitos com o valor de uso, passam a ter valor de troca, ou seja, transformam em mercadoria. Daí a exigência de algo que funcionasse com valor equivalente universal das mercadorias.
A invenção da moeda desempenha papel revolucionário, pois está vinculada ao nascimento do pensamento racional. Isso porque passa a ser emitida e garantida pela Cidade, revertendo benefícios para a própria comunidade. Além do efeito político de democratização, a moeda sobrepõe aos símbolos sagrados e afetivos o caráter racional de sua concepção: muito mais do que um metal precioso que se troca por qualquer mercadoria, a moeda é um artifício racional, uma convenção humana, uma noção abstrata de valor que estabelece a medida comum entre valores diferentes.
A Lei escrita - Drácon (séc. VII a.C.), Sólon e Clístenes (séc.VI a.C.) são os primeiros legisladores que marcam uma nova era: a justiça, até então dependente da arbitrariedade dops reis ou da interpretação da vontade divina, é codificada numa legislação escrita. A lei escrita passa a encarnar uma dimensão propriamente humana.
As reformas provocadas pela legislação de Clístenes fundam a pólis sobre uma base nova: a antiga organização tribal é abolida e estabelecem-se as novas relações, não mais baseadas na consanguinidade, mas determinadas por nova organização administrativa.
O cidadão da pólis - Jean-Pierre Vernant, helenista e pensador francês, vê no nascimento da pólis (por volta dos séculos VIII e VII a.C.) um acontecimento decisivo que "marca um começo, uma verdadeira invenção" que provocou grandes alterações na vida social e nas relações entre os homens.
A originalidade da cidade grega é que ele está centralizada na ágora (praça pública), espaço onde se debatem os problemas de interesse comum. Está sendo elaborado o novo ideal de justiça, pelo qual todo cidadão tem direito ao poder. A nova noção de justiça assume caráter político, e não apenas moral,ou seja, ela não diz respeito apenas ao indivíduo e aos interesses da tradição familiar, mas se refere à sua atuação na comunidade.
A pólis se faz pela autonomia da palavra, não mais a palavra mágica dos mitos, palavra dada pelos deuses e, portanto comum a todos, mas a palavra humana do conflito, da discussão, da argumentação. O saber deixa de ser sagrado e passa a ser objeto de discussão.
A expressão da individualidade por meio do debate faz nascer a política, libertando o homem dos desígnios divinos e permitindo a ele tecer seu destino na praça pública. Portanto, o cidadão da pólis participa dos destinos da cidade por meio de uso da palavra em praça pública. Mas para que isso fosse possível, desenvolveu-se uma nova concepção a respeito das relações entre os homens, não mais de submissão e domínio. Ou seja, "os que compõem a cidade, por mais diferentes que sejam, por sua origem, sua classe, sua função, aparecem de uma certa maneira 'semelhantes' uns aos outros". De início, a igualdade existe apenas entre os guerreiros, mas essa imagem do mundo humano no século VI, muda com a expressão rigorosa num conceito, o de isonomia: "igual participação de todos os cidadãos no exercício do poder".
O apogeu da democracia ateniense se dá no século V a.C., já no período clássico, quando Péricles era estratego. Atenas possuía meio milhão de habitantes dos quais 300 mil eram escravos e 50 mil metecos (estrangeiros); excluídas as mulheres e as crianças, restavam apenas 10% considerados cidadãos, propriamente ditos, capacitados para decidir por todos.
Ao se falar em democracia ateniense, deve-se lembrar que a maior parte da população se achava excluída do processo político. Aliás, quanto mais se desenvolvia a ideia de cidadão ideal, com a consolidação da democracia, mais a escravidão surgia como contraponto indispensável, na medida em que ao escravo eram reservadas as tarefas consideradas "menores" dos trabalhos manuais e da luta pela sobrevivência.
O nascimento do filósofo - Os primeiros filósofos vieram por volta do século VI a.C. e, mais tarde foram classificados como pré-socráticos (a divisão da filosofia grega se centraliza na figura de Sócrates) e agrupados em diversas escolas. Por exemplo, escola jônica (Tales, Anaximandro, Anaxímenes, Heráclito,Empédocles), escola itálica (Pitágoras), escola eleática (Xenófanes, Parmênides, Zenão), escola atomista (Leucipo e Demócrito).
Os escritos dos filósofos pré-socráticos desapareceram com o tempo, só nos restam alguns fragmentos ou referências feitas por filósofos posteriores. Escreviam em prosa, abandonando a forma poética, características das epopeias, dos relatos míticos.
É interessante notar que, enquanto Hesíodo ao relatar o princípio do mundo (cosmogonia) e dos deuses (teogonia), refere-se a sua gênese ou origem, as preocupações dos primeiros pensadores levam à elaboração de uma cosmologia, pois procuram a racionalidade do universo. Isso significa que, ao perguntarem como seria possível emergir do Caos um "cosmos", ou seja, como da confusão inicial, surgiu um mundo ordenado, os pré-socráticos procuram o princípio (a arché) de todas as coisas, não como acontece no tempo, mas como fundamento do ser. Buscar a arché é explicar a qual é o elemento constitutivo de todas as coisas.
As respostas dos filósofos quanto à questão do fundamento das coisas são as mais variadas. Cada um descobre a arché, a unidade que pode explicar a multiplicidade:para Tales é a água; para Anaxímenes é o ar;para Demócrito é o átomo; para Empédocles, os famosos quatro elementos, terra, água, ar e fogo teoria aceita até o século XVIII, quando foi criticada por Lavoisier.

Texto da próxima aula: "Defesa de Sócrates" ou "Apologia de Sócrates".
DEFESA DE SÓCRATES OU APOLOGIA DE SÓCRATES
A Apologia ou defesa de Sócrates de autoria de Platão é um dos
primeiros relatos da defesa de Sócrates em meio ao famoso julgamento que
resultou na sua morte por ingestão de cicuta, poderoso veneno.
Na visão de Platão, Sócrates havia sido vítima do poder do discurso
político, que agiu contra o raciocínio filosófico. Platão acreditava na
superioridade da filosofia sobre a política, a qual deveria dirigir os
rumos da segunda.
Platão considerou que Sócrates foi condenado por
questões evidentemente políticas. Por seu lado, Xenofonte atribuiu a acusação a
Sócrates a um fato de ordem pessoal, pelo desejo de vingança. O propósito não
era a morte de Sócrates mas sim afastá-lo de Atenas e se isso não ocorreu
deveu-se à teimosia de Sócrates.
Tão logo as ideias de Sócrates foram se espalhando
pela cidade, ele ganhava mais e mais discípulos. Assim, pensavam eles:
" Como um homem poderia ensinar
de graça e pregar que não se precisavam de professores como eles?" E mais:
Eles não concordavam com os pensamentos de Sócrates, que dizia que para se
acreditar em algo, era preciso verificar se aquilo realmente era verdade.
Logo Sócrates começou a fazer vários inimigos,
assim causando uma grande intriga. Mas eis que a Guerra do Peloponeso estourou, todos os
homens entre 15 e 45 anos de idade foram enviados para lutar. Sócrates, pela
sua habilidade de fazer as pessoas o seguirem, foi escolhido então como um dos
generais.
No final da guerra, com a intenção de salvar os
poucos soldados que estavam vivos, Sócrates ordena que todos voltem rapidamente
para Atenas,
mas deixassem os mortos no campo de batalha - contrariando uma lei que obrigava
o general a enterrar todos os seus soldados mortos, ou morrer tentando. Assim,
ao chegar, ele é preso.
Usando toda a sua capacidade de persuasão, Sócrates consegue
convencer a todos de que era melhor deixar alguns mortos do que morrerem
todos, uma vez que se todos morressem, ninguém poderia enterrá-los.
Desta forma ele consegue a liberdade.
Ficou livre por mais 30 anos, quando foi preso novamente, acusado de 3 crimes:1- Não acreditar nos costumes e nos deuses gregos;
2- Unir-se a deuses malignos que gostam de destruir as cidades;
3- Corromper jovens com suas ideias.
Os acusadores foram:Ânito, Meleto e Licon.
• Ânito - era um líder democrático. Tinha um filho discípulo de Sócrates que ria dos deuses do pai e voltava-se contra eles. Representava a classe dos políticos. Era um rico tanoeiro que representava os interesses dos comerciantes e industriais, era poderoso e influente.
• Meleto - era um poeta trágico novo e desconhecido. Foi o acusador oficial, porém nada exigia que ele como acusador oficial fosse o mais respeitável, hábil ou temível, mas somente aquele que assinava a acusação. Representava a classe dos poetas e adivinhos.
• Licon - Pouco se sabe de Lícon. Era um retórico obscuro e o seu nome teve pouca importância e autoridade no decorrer da condenação de Sócrates. Representava a classe dos oradores e professores de retórica. Talvez Lícon pretendesse a condenação de Sócrates, devido ao seu filho ter-se deixado corromper moralmente, filosoficamente e sexualmente por Callias, e Callias era um associado de Sócrates.
Estas 3 acusações foram assim proferidas por Meleto:
"...Sócrates é culpado do crime de não reconhecer os deuses reconhecidos pelo Estado e de introduzir divindades novas; ele é ainda culpado de corromper a juventude. Castigo pedido: a morte".
• Ânito - era um líder democrático. Tinha um filho discípulo de Sócrates que ria dos deuses do pai e voltava-se contra eles. Representava a classe dos políticos. Era um rico tanoeiro que representava os interesses dos comerciantes e industriais, era poderoso e influente.
• Meleto - era um poeta trágico novo e desconhecido. Foi o acusador oficial, porém nada exigia que ele como acusador oficial fosse o mais respeitável, hábil ou temível, mas somente aquele que assinava a acusação. Representava a classe dos poetas e adivinhos.
• Licon - Pouco se sabe de Lícon. Era um retórico obscuro e o seu nome teve pouca importância e autoridade no decorrer da condenação de Sócrates. Representava a classe dos oradores e professores de retórica. Talvez Lícon pretendesse a condenação de Sócrates, devido ao seu filho ter-se deixado corromper moralmente, filosoficamente e sexualmente por Callias, e Callias era um associado de Sócrates.
Estas 3 acusações foram assim proferidas por Meleto:
"...Sócrates é culpado do crime de não reconhecer os deuses reconhecidos pelo Estado e de introduzir divindades novas; ele é ainda culpado de corromper a juventude. Castigo pedido: a morte".
Sabe-se que Sócrates aceitou a sua sentença
de morte, apesar de considerá-la injusta e despropositada.
Conclui-se que Sócrates desejava morrer,
pois, recepcionou a morte de braços abertos. Morrer para Sócrates era libertar-se. O filósofo grego, melhor,
poderia, caso quisesse, o convencer o grande júri de sua inocência e, por consequência
disso, obter sua absolvição; mas ele não o fez. Ser absolvido representava a
vitória de Atenas sobre ele.
Significava o fim de tudo que ele pregou durante
toda a vida. Morrer para Sócrates,era fechar com chave de ouro, as portas de sua
existência, toda voltada para o ensinamento filosófico, demonstrando que a vida
sem liberdade de expressão não vale a pena.
A
cena final resultou na sua morte ingerindo o veneno cicuta. Sócrates não
exerceu o direito de defesa em momento oportuno, comprovando então, que o
filósofo aceitara sua morte antes mesmo de sua condenação. Aceitou o veredito,
recusando-se a fugir, como lhe propunham seus amigos mais próximos e discípulos.
Motivação de decisão que condenou Sócrates à morte.
Sabe-se que a oratória é fator decisivo pela
tradição do júri. Assim também era em Atenas, na época de Sócrates.
Sócrates, como o maior entre os maiores
sábios da Grécia, que manejava a palavra como ninguém, formatava o argumento,
planejava o raciocínio, por que não o fizera em sua própria defesa? Preferiu
agredir seus juízes causando-lhes mal-estar.
Foram três os responsáveis pela acusação de
Sócrates: Ânito, Meleto e Licon. Meleto é o único a falar durante a defesa de Sócrates, caindo
em contradição sobre a natureza da acusação feita ao filósofo, afirmando num
momento que este pregava o ateísmo, e em outro, que acreditava em semideuses.
Em resposta às acusações,Sócrates defendia a tese de que
nada mais fazia do que filosofar. A sua teoria era a de que não havia
quem pudesse dizer-se prejudicado com seus ensinamentos. Os seus
argumentos, recheados de ironia, faziam corar os acusadores, que, pela
força dos argumentos ficavam sem palavras para prosseguir na acusação.
Por isso, a contra-argumentação, ou seja, as razões contrárias à tese
defendida, certamente não prevaleceriam num julgamento justo.
A conclusão do filósofo foi a de que ele não havia cometido nenhum crime
diferentemente dos juízes que julgaram procedente a ação para condenar
Sócrates à pena de morte.
Discussão sobre o assunto:
1.Qual o mérito do orador para Sócrates?
O
de dizer a verdade. Sócrates valorizava acima de tudo a verdade e as
virtudes, fossem elas individuais, como a coragem e a temperança, ou
sociais, como a cooperação e a amizade.
Dizia Sócrates: "só age erradamente quem desconhece a verdade e, por extensão, o bem. A busca do saber é o caminho para a perfeição humana".
2. Para Sócrates, qual o papel do educador?
Dizia Sócrates: "só age erradamente quem desconhece a verdade e, por extensão, o bem. A busca do saber é o caminho para a perfeição humana".
2. Para Sócrates, qual o papel do educador?
O
papel do educador é, então, o de ajudar o discípulo a caminhar
nesse sentido, despertando sua cooperação para que ele consiga por si
próprio
"iluminar" sua inteligência e sua consciência. Assim, o verdadeiro
mestre não é um provedor de conhecimentos, mas alguém que desperta os
espíritos. Ele deve, segundo Sócrates, admitir a reciprocidade ao
exercer sua
função iluminadora, permitindo que os alunos contestem seus argumentos
da mesma
forma que contesta os argumentos dos alunos. Para o filósofo, só a troca
de ideias dá liberdade ao pensamento e a sua expressão – condições
imprescindíveis
para o aperfeiçoamento do ser humano.
Até mesmo na atividade de aprender uma disciplina qualquer, o
professor nada mais pode fazer que orientar e esclarecer dúvidas, como um
lapidador tira o excesso de entulho do diamante, não fazendo o próprio
diamante. O processo de aprender é um processo interno, e tanto mais eficaz
quanto maior for o interesse de aprender. Só o conhecimento que vem de dentro é
capaz de revelar o verdadeiro discernimento. Em certo sentido, dizemos que
quando uma pessoa "toma juízo", ela simplesmente traz à consciência
algo muito claro que já estava "dentro" de si.
3. Como Sócrates descreve a arte dos sofistas?
A arte de ganhar dinheiro lecionando, persuadindo os moços. Sócrates
criticava os sofistas,acusando-os de não terem amor pela sabedoria (não
serem filósofos) já que não buscavam a verdade, mas somente queriam
ensinar os jovens a ganhar disputas retóricas. Os
sofistas ensinavam em troca de dinheiro, técnicas de argumentação para
convencer os outros do que quer que fosse: um dia convenciam de que
determinada ideia estava certa e, no dia seguinte, de que a mesma ideia
estava errada.
Sócrates comparava os sofistas aos mercadores, que elogiam os produtos que vendem mesmo sem saberem se são bons ou não.Ao receberem pelos ensinamentos ministrados, os sofistas forçaram o reconhecimento do caráter profissional do trabalho de professor. Essa é uma dívida que a institucionalização da escola tem para com eles.
O importante era saber vencer uma discussão na assembleia. Para Sócrates, antes de conhecer o mundo, o ser humano deveria conhecer a si mesmo.
Sócrates comparava os sofistas aos mercadores, que elogiam os produtos que vendem mesmo sem saberem se são bons ou não.Ao receberem pelos ensinamentos ministrados, os sofistas forçaram o reconhecimento do caráter profissional do trabalho de professor. Essa é uma dívida que a institucionalização da escola tem para com eles.
O importante era saber vencer uma discussão na assembleia. Para Sócrates, antes de conhecer o mundo, o ser humano deveria conhecer a si mesmo.
4.Em que consiste a sabedoria de Sócrates?
Palavras de Sócrates "Todo o meu saber consiste em saber que nada sei".
Sócrates usava a dialética. Dialética, em grego, significa arte do diálogo. Sócrates, a partir do diálogo, vai demonstrar as fraquezas nas argumentações de seus adversários. Ele traz o conhecimento de retórica dos sofistas e a alia à sua mente superior, tornando-se praticamente imbatível e, por sua vez, absolutamente incômodo para a realidade política de Atenas. Ele usava o método dialógico de investigar os conceitos por meio de perguntas cada vez mais profundas, as quais faziam com que seu interlocutor pensasse e chegasse à própria conclusão formando suas ideias.
Esse método socrático é denominado maiêutica. Ninguém melhor que Sócrates para explicá-la: "A arte do parto que pratico é a mesma que a de todas as parteiras, exceto que elas praticam em mulheres enquanto eu o faço em homens. Elas lidam com o corpo, eu lido com a mente. (...) Eu próprio sou vazio de sabedoria e é por isso que o deus Apolo me faz cuidar da sabedoria dos outros e me impede de dar luz a mim mesmo."
Sócrates usava a dialética. Dialética, em grego, significa arte do diálogo. Sócrates, a partir do diálogo, vai demonstrar as fraquezas nas argumentações de seus adversários. Ele traz o conhecimento de retórica dos sofistas e a alia à sua mente superior, tornando-se praticamente imbatível e, por sua vez, absolutamente incômodo para a realidade política de Atenas. Ele usava o método dialógico de investigar os conceitos por meio de perguntas cada vez mais profundas, as quais faziam com que seu interlocutor pensasse e chegasse à própria conclusão formando suas ideias.
Esse método socrático é denominado maiêutica. Ninguém melhor que Sócrates para explicá-la: "A arte do parto que pratico é a mesma que a de todas as parteiras, exceto que elas praticam em mulheres enquanto eu o faço em homens. Elas lidam com o corpo, eu lido com a mente. (...) Eu próprio sou vazio de sabedoria e é por isso que o deus Apolo me faz cuidar da sabedoria dos outros e me impede de dar luz a mim mesmo."
O processo ocorria o "parto das ideias" (expresso pela palavra
maiêutica), momento de reconstrução do conceito, em que o próprio interlocutor
ia "polindo" as noções até chegar ao conceito verdadeiro por
aproximações sucessivas. Desse
modo, Sócrates guiava, através de perguntas, o raciocínio de seu discípulo. Em
outras palavras: "(...) ele orientava o interlocutor, levando-o a trazer à
luz aquilo que já se encontrava latente em sua alma". O que
Sócrates fez foi demonstrar que a formulação de idéias é democrática; qualquer
um pode chegar a uma conclusão desde que seja guiado pelas perguntas certas. O processo de formar o indivíduo para ser cidadão e sábio
devia começar pela educação do corpo, que permite controlar o físico.
5. O que Sócrates concluiu à respeito dos mais "sábios"?
Aparentemente, certa vez o
oráculo de Delfos foi consultado sobre a existência de homem mais sábio que
Sócrates, ao que respondeu que não havia. Sócrates declara ter se sentido
desconcertado: ele nada sabia, mas ao mesmo tempo, um deus não poderia mentir.
Sócrates então recorreu aos homens considerados sábios, desejando descobrir se
poderia acusar a divindade de erro. “Em primeiro lugar, consultou um político
que muitos consideravam sábio e que considerava a si mesmo mais sábio ainda”.
Logo descobriu que aquele homem não era sábio e fez questão de lhe revelar de
maneira gentil, mas firme “e como consequência passou ele a odiar-me”. Em
seguida, foi ter com os poetas e pediu-lhes que explicassem passagens de seus
escritos, o que, porém, foram incapazes de fazer. “Então descobri que não era
segundo a sabedoria que os poetas escrevem sua poesia, mas segundo uma espécie
de gênio e inspiração”. Então foi ao encontro dos artesãos, mas descobriu-os
igualmente decepcionantes. No processo, diz ele, muitos inimigos perigosos. Por
fim,Sócrates concluiu que “somente Deus é sábio;
e com tal resposta tenciona revelar que a sabedoria dos homens vale pouco ou
nada; ele não está se referindo a Sócrates, mas apenas usando seu nome a título
de ilustração, como se dissesse: ‘Ó, homens: é o mais sábio aquele que, tal
qual Sócrates, sabe que sua sabedoria nada vale. ’” Seu esforço para desmascarar
os que afetavam sabedoria tomou todo o tempo que tinha e deixou-o em extrema
miséria, mas Sócrates considera seu dever justificar o oráculo.
6. Quais os limites dos poetas e artífices?
"Tampouco
os poetas compunham suas obras por sabedoria, mas por dom natural, em
estado de inspiração, como os adivinhos e profetas. Por praticar bem a
sua arte, poetas e artífices, imaginavam ser sapientíssimos nos demais
assuntos..."
7. Quais os valores fundamentais da existência para Sócrates?
Valores
como a coragem e obediência a Deus, também a bondade, a justiça, a
beleza, que eram também valores da tradição aristocrática. Um dos jovens
que acompanhavam Sócrates era Platão, que relata que, quando alguém
dizia que a coragem era o valor mais importante para os gregos, Sócrates
perguntava: mas o que é a coragem? As pessoas ficavam perturbadas
porque não sabiam responder, e Sócrates não lhes dava uma resposta, com
suas perguntas, ajudava as pessoas a pensar.
Sócrates utiliza-se da ironia e na maioria das vezes, "interrogava o outro sobre pontos aparentemente afastados do assunto e o conduzia, por um jogo de perguntas sucessivas, a voltar ao tema inicial, pondo-o em face de uma grande contradição, na qual ele se embrenhara sem perceber".
Sócrates utiliza-se da ironia e na maioria das vezes, "interrogava o outro sobre pontos aparentemente afastados do assunto e o conduzia, por um jogo de perguntas sucessivas, a voltar ao tema inicial, pondo-o em face de uma grande contradição, na qual ele se embrenhara sem perceber".
Sócrates
apenas demonstrava que as nossas verdades são questionáveis. Como exemplo disso
pode se citar que durante o seu julgamento Sócrates, ao fazer a sua defesa,
demonstrou que o júri não sabia definir com exatidão aquilo pelo qual estavam
condenando ele próprios.
8. Como Sócrates considera a morte?
Palavras de Sócrates: "Jamais fugirei de medo do que eu não sei se será um bem".
Sócrates aceitou a sua sentença de morte, apesar de considerá-la injusta e despropositada. Morrer para Sócrates significava fechar com chave de ouro as portas de sua existência, toda voltada para o ensinamento filosófico, demonstrando que a vida sem liberdade de expressão não vale a pena. Enfim, significava dizer que o homem deveria ser livre até para escolher a sua morte.
Sócrates preferiu morrer, mas permanecendo com suas ideias.
9. A quem Sócrates obedece e o que lhe é ordenado a fazer?
Sócrates fora soldado e permanecera no posto como lhe fora
ordenado. Agora “Deus ordena-me que
cumpra-me a missão do filósofo de investigar a mim mesmo e os outros” , e
desertar agora seria tão vergonhoso quanto antes, em época de batalha.
Medo da morte não é sabedoria, uma vez que ninguém sabe se morrer
pode ser um bem maior. Se lhe fosse oferecida a vida sob a condição de que
deixasse de especular como até então fizera, ele responderia: “Homens de Atenas,
tendes meu respeito e amor. Todavia, devo
obedecer antes a Deus do que a vós, e enquanto dotado estiver de vida e
força jamais deixarei de praticar e ensinar a filosofia, exortando todo aquele
com quem me deparar. Sei, afinal, que é isso o que Deus ordena e creio que
jamais se viu no Estado um bem maior que meu serviço a Ele.”
10. Por que Sócrates se absteve da política oficial?
Sócrates foi um filósofo que
agiu pela fala e por ela influenciou seus concidadãos – e se um indivíduo se
define como político na medida em que age e influencia os demais por meio da
palavra viva, Sócrates foi sem dúvida o mais público, o mais político, o mais cidadão de todos os filósofos.
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SÓCRATES E OS SOFISTAS
Ao ter como ofício,a arte da argumentação,da palavra,os sofistas se tornaram importantes para a democracia ateniense.A educação oferecida era a formação do homem virtuoso.
O que marca a Pedagogia sofista é o caráter agnóstico, em que o saber está fundado na ideia de oposição e luta dos contrários,o qual se aplica a construção da vida política.Contrapõe á ideia de que as leis e costumes são naturais,mas são próprios de cada sociedade.
Começa a democracia quando o poder que esta dentro dos palácios,passa a praça pública.Rompem com a ideia de direitos divinos,formavam as crianças e os adultos,as buscas eram em relação a vida na cidade.A filosofia Socrática era opositora a filosofia sofista.
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SÓCRATES E OS SOFISTAS
Em Atenas, Sócrates não era o único a filosofar. A cidade, com o
seu esplendor cultural e regime democrático, atraía a si estrangeiros que se
davam pelo nome de sofistas.
A palavra sofista (em grego sophistes) deriva de sophia (sabedoria),
e designa todo o homem que possui conhecimentos consideráveis em qualquer ramo
do saber, nomeadamente gramática, astronomia, geometria, música, entre outras.
O sofista era alguém a que hoje chamaríamos de sábio.
Os sofistas eram mestres da arte de educar os cidadãos,por muitos
considerados fundadores da Pedagogia democrática,baseiam-se no ideal
educativo,na retórica,buscam por meio da formação espiritual,especialistas em
alguma arte.A retórica ensina a persuadir os outros de que nossa opinião é a
melhor,para isso se utiliza opiniões e argumentos contrários.
Ao ter como ofício,a arte da argumentação,da palavra,os sofistas se tornaram importantes para a democracia ateniense.A educação oferecida era a formação do homem virtuoso.
O que marca a Pedagogia sofista é o caráter agnóstico, em que o saber está fundado na ideia de oposição e luta dos contrários,o qual se aplica a construção da vida política.Contrapõe á ideia de que as leis e costumes são naturais,mas são próprios de cada sociedade.
Começa a democracia quando o poder que esta dentro dos palácios,passa a praça pública.Rompem com a ideia de direitos divinos,formavam as crianças e os adultos,as buscas eram em relação a vida na cidade.A filosofia Socrática era opositora a filosofia sofista.
Os sofistas recebiam pelos
ensinamentos que ministravam, o que era alvo da censura dos atenienses.Sócrates comparava os
sofistas aos mercadores, que elogiam os produtos que vendem mesmo sem saberem
se são bons ou não.
Ao receberem pelos ensinamentos ministrados, os sofistas forçaram
o reconhecimento do caráter profissional do trabalho de professor. Essa é
uma dívida que a institucionalização da escola tem para com eles. No entanto, ao serem pagos diretamente pelos alunos, ficavam em
condições de fazer uma seleção entre os candidatos. Em geral, preferiam
os filhos de famílias mais abastadas. A analogia com o carácter seletivo da
escola dos nossos dias é aqui tristemente visível.
Ao contrário dos sofistas,
Sócrates não recebia pagamento pelo que ensinava. Dispensava gratuitamente o
seu saber a quem dele necessitava. Contudo, foi considerado por muitos como
sofista porque aparentemente exercia o mesmo ofício. Como eles, instruía
a juventude, discutia em público política e moral, religião e por vezes arte e,
como eles, criticava com vigor e sutileza as noções tradicionais nas
diferentes matérias.
Uma outra diferença fundamental separa Sócrates dos Sofistas. É
que, enquanto aqueles se consideravam sábios, profundamente conhecedores de
várias matérias, e, justamente por essa razão, se faziam pagar pelos seus
ensinamentos, Sócrates defendia aquela fórmula tão célebre quanto
enigmática pela qual ficou para sempre conhecido:
"Só sei que nada sei"
Sócrates combateu os sofistas, julgou com severidade o uso que
faziam da arte da palavra, que segundo ele não visava estabelecer o verdadeiro
mas produzir a aparência. Sócrates defendia energicamente a necessidade e a
possibilidade de conhecer a verdade. Amava-a acima de tudo e tomou como
ocupação exclusiva da sua vida, ajudar a descobrir em cada homem a verdade que
nele existia. Mesmo sem salário e quase sem esperança, exerceu até à
morte este serviço de educador do seu povo, o mais insubmisso de todos os
povos. É esta a sua maneira de ser cidadão.
Mas, os cidadãos atenienses não souberam compreender
Sócrates. Ele amava a juventude. Amava a sua cidade. Foi por ela que
viveu e foi por ela que consentiu morrer.
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A METAFÍSICA DE ARISTÓTELES
Metafísica - Meta (que vai além do que aparece). Fisis (o que se manifesta). A
Metafísica trata-se da parte nuclear da filosofia, onde se estuda “o ser enquanto ser”, isto é, o ser
independentemente de suas determinações particulares.
Aristóteles
- Outro
importante filósofo da Antiguidade, foi o grego Aristóteles (384-322 a.C.). Ele
foi aluno de Platão na Academia, porém, decidiu fundar sua própria escola, o
Liceu, pois já não concordava mais com a filosofia idealista de seu mestre.
Notabilizou-se, sobretudo, pela sua teoria sobre a substância (composta de
matéria e forma - hilemorfismo). Para Aristóteles, há na matéria, uma potência própria, que lhe garante o movimento.
Nesse aspecto, ele se distancia de Platão, para quem a ideia (ou forma) é algo
distinto da substância, algo que possibilita o movimento, mas que lhe é exterior.
Refletindo-se ao máximo, sobre suas próprias
pesquisas, Aristóteles desdobrou-se como filósofo do metafísico e do real, do
abstrato e do concreto, rompendo assim, a estreiteza das classificações
vigentes.
Para Aristóteles, a Metafísica é importante
porque questiona a existência, é contemplativa, porque é pragmática (afirma o
valor imediato). É a Metafísica que fornece a todas as outras ciências o
fundamento comum, o objeto ao qual todas se referem e os princípios dos quais dependem.
Para
conhecer as coisas por meio de suas causas, Aristóteles resume quatro grandes causas
das coisas que existem.
•
Material - Quando se pergunta “de
que é feito isso?”, procura-se a causa material das coisas. Exemplo: De que é
feita essa mesa? De madeira.
•
Formal - A pergunta “como é isso?”
revela a causa formal da coisa. Exemplo: Como é essa mesa? É um objeto com uma base quadrada fixada em quatro
hastes.
•
Eficiente - Já quando se questiona “quem iniciou isso?”, chega-se à
causa eficiente.
Exemplo:
Quem fez essa mesa? O carpinteiro.
•
Final - Com a pergunta “para que se
faz isso?”, descobre-se a causa final. Exemplo: Para que essa mesa foi feita?
Para ser a mesa do professor e apoiar o material dele.
As quatro causas propostas por Aristóteles
constituem, portanto, um princípio de elucidação do próprio modo humano de
pensar. Nada do que se pensa foge à formalização causal em das formas
estabelecidas. Esse modo de conceber a causalidade como processo serve ainda
como ponto de partida para a formulação da sua metafísica, toda centrada na
ideia de ato e potência.
Os Regimes Políticos
No livro A Política, Aristóteles questiona o que
é o ser humano, mas especificamente, pergunta pela sua causa final: para que
serve o ser humano? Chega à conclusão de que o ser humano é um animal político (zoonpolykon), pois ele vive na pólis, e
a finalidade desta é o bem comum, a felicidade coletiva. Como o ser humano é
parte dessa coletividade, é um cidadão, ele é, portanto, essencialmente
político, ele se realiza na vida política.
Aristóteles também elaborou uma teoria sobre as
formas de governo e, para cada uma
delas, esquematizou uma forma que corresponde à sua degeneração ou à sua
corrupção. Veja o quadro a seguir:
Regimes Políticos
|
Característica
|
Formas degeneradas
|
Descrição
|
Democracia
|
Poder
do povo
|
Demagogia
|
O
poder é do povo, mas desconsiderando o bem comum.
|
Monarquia
|
Poder
de somente uma pessoa
|
Tirania
|
O
poder fica nas mãos de apenas uma pessoa, mas exercido de forma ilegal.
|
Aristocracia
|
Poder
dos “melhores”
|
Oligarquia
|
O
poder é de um grupo que favorece a si mesmo.
|
É importante considerar que o desvio das três formas
regulares se dá quando o alvo do poder, ou seja, a quem se destina o poder, deixa
de ser a coletividade, o bem da pólis. Aristóteles não escolhe qual das três formas
regulares é a melhor: se um, alguns ou todos governam a cidade; o que se deve
respeitar é o “princípio da cidadania”, ou seja, para quantos se governa e não
quantos governam.
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FILOSOFIA E A CIÊNCIA
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FILOSOFIA E A CIÊNCIA
Não
havia ciência na Grécia Antiga tal como se conhece hoje, com método,
verificação, experimentos, comprovação, técnicas, equipamentos, etc. No
entanto, muitos filósofos eram matemáticos, biólogos, pensavam sobre o
que hoje se chama Física e Química e se dedicavam a investigar a
Natureza. Dúvidas como de que substância é feito o mundo, se haveria
algo em comum que perpassa todos os seres ou como se dá a organização do
Universo uniam ciência e filosofia contribuindo para o desenvolvimento
desses campos do conhecimento.
A
partir desses questionamentos, nasce, por um lado, a filosofia
propriamente dita (com a crítica de Sócrates) e, por outro, mais
adiante, no Renascimento, a Ciência.
Muitos
pensadores da Antiguidade foram responsáveis por elaborar hipóteses
fundamentais para a ciência moderna. Tales de Mileto considerava a água
como a origem de todas as coisas, ou seja, para ele a origem do mundo
estava na água. A justificativa é que a maior parte do mundo é formada
de água. Para Anaxímenes, o Universo era o resultado de transformações
de um ar infinito. Pitágoras, por sua vez, criou um sistema matemático
cuja finalidade era descobrir a harmonia que modela o cosmos. Heráclito
entendia o mundo como uma unidade de tensões opostas. Demócrito definia
pela primeira vez na história, o átomo como a menor partícula
indivisível.
Esses
pensadores, depois chamados de pré-socráticos, tinham em comum a recusa
da mitologia e da religião como explicações dos fenômenos da Natureza e
das relações entre os homens. Defendiam que era preciso encontrar outra
forma de racionalidade que pudesse explicar a complexidade dos
fenômenos observados.
Conhecimento Científico
Conhecimento
científico é a informação e o saber que parte do princípio das análises dos fatos reais
e cientificamente comprovados.
Para ser
reconhecido como um conhecimento científico, este deve ser baseado em
observações e experimentações, que servem para atestar a veracidade ou
falsidade de determinada teoria.
A razão deve
estar atrelada a lógica da experimentação científica, caso contrário o
pensamento se configura apenas como um conhecimento filosófico.
Características
do conhecimento científico
Sistematização - consiste num saber ordenado, ou
seja, formado a partir de um conjunto de ideias que são formadoras de uma
teoria.
Princípio da verificabilidade - determinada ideia ou
teoria deve ser verificada e comprovada sob a ótica da ciência para que possa
fazer parte do conhecimento científico.
O conhecimento científico é falível,
isso significa que não é definitivo, pois determinada ideia ou teoria
pode ser derrubada e substituída por outra, a partir de novas comprovações e
experimentações científicas.
Entre outras características inerentes ao
conhecimento científico, destaca-se o fato de ser: racional, objetivo, factual,
analítico, comunicável, acumulativo, explicativo, entre outros fatores
relacionados a investigação metódica.
Senso
comum e conhecimento científico
Ao contrário
do conhecimento científico que requer base teórica e comprovações a partir de
experimentações, o conhecimento do senso comum é pautado principalmente nas
crendices populares, ideias e conceitos que são transmitidos através das
gerações por meio de “heranças culturais”.
O
conhecimento do senso comum não é questionador, ou seja, apenas determina o
motivo, mas não traça os caminhos que levaram a determinada conclusão.
O conhecimento científico se destina a decifrar e entender todos os processos e
etapas de uma ideia ou teoria, a partir do uso de métodos científicos.
Discussão sobre o assunto:
1. Definir (caracterizar) o conhecimento espontâneo.
• É ametódico e assistemático - nasce diante da tentativa do homem de resolver problemas da vida diária;
• É empírico - baseia-se na experiência cotidiana e comum das pessoas. Experiência desorganizada;
• É ingênuo - atitude não crítica, não se questiona;
• É subjetivo - o senso comum depende dos juízos pessoais a respeito das coisas co envolvimento das emoções e dos valores de quem observa;
• É aparente - o conhecimento espontâneo é preso às aparências. Exemplo: parece que o Sol gira em torno da Terra;
• É particular - o homem comum seleciona os dados observados sem nenhum critério de rigor, de forma ametódica e fortuita;
• É fragmentário - não estabelece conexões onde estas poderiam ser verificadas.
2. Em que momento histórico e com que características se constrói o conhecimento científico?
No
século XVII, com a Revolução Galileana. Cada ciência possui um objeto
de estudo e possui um método científico para comprovar o estudo.
3. Quais as etapas do conhecimento científico?
• Observação;
• Problematização;
• Hipótese;
• Experimentação para verificação;
• Generalização compõe a teoria;
• Solução.
4. Em que sentido o conhecimento científico é particular e geral?
É
particular no sentido de ter um campo delimitado de pesquisa de um
método próprio. Na medida em que cada uma privilegia setores diferentes
da realidade: a física trata do movimento dos corpos; a química, a sua
transformação; a biologia, do ser vivo, etc.
5. Por que a ciência amplia e reduz a experiência?
"A
ciência explica o mundo, mas se recusa a habitá-lo". Em outras
palavras, por mais que a ciência amplie o conhecimento que temos do
mundo, de certo ponto de vista, renova toda experiência individual que
caracterizaria o estar no mundo.
6. Relacionar ciência moderna e objetividade.
A
ciência moderna nasce ao determinar um objeto específico de
investigação e o mundo construído pela ciência aspira objetividade.
7. Como a ciência gera maior poder?
Com
a aliança da ciência e a tecnologia ocorreu o desenvolvimento
tecnológico enriquecido pelo saber científico. O poder da ciência e da
tecnologia é ambíguo, porque pode estar a serviço do homem ou contra
ele. Daí a necessidade de o trabalho do cientista be do técnico ser
acompanhado por reflexões de caráter moral e político.
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