sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

PRÁTICA DO RACISMO NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES

PRÁTICA DO RACISMO NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES 

 Esse foi o assunto do Seminário como avaliação da 3ª Unidade. O Seminário 
foi apresentado  em grupo  e  articulado em mais três assuntos relacionados
ao tema inicial, como:

. Formação de professores: um processo complexo
. Diversidade étnico-racial
. Diversidade étnico-cultural
. O Desafio da diversidade

"Desafio da Diversidade" de Nilma Lino Gomes e Petronilha Beatriz Gonçalves
Silva. É  um  texto  expositivo  que  relata experiências  étnico-culturais  para 
formação de  professores, desafiando o campo da Pedagogia a compreender e 
apresentar alternativas para formação de seus profissionais. É sabedor que  a
cada dia se tornam mais complexas as relações entre educação, conhecimento
e cotidiano escolar.

Interessa-nos, portanto, mostrar que o Racismo está presente nas relações sociais e não é diferente no interior das escolas. Suas expressões no ambiente escolar são multifacetadas, amparando-se na negação dos costumes, tradições e conhecimentos africanos e afro-brasileiros. Por esse motivo é preciso combater e superar as manifestações de preconceitos, racismos e discriminações.

    É importante discutir o tema RACISMO E FORMAÇÃO DO PROFESSOR para que os professores adquiram subsídios para refletirem sobre questões dos conteúdos da disciplina de Antropologia e Educação que dizem respeito às relações étnico-raciais e seus desdobramentos e, sobretudo, como meio de capacitá-los a transmitir aos seus futuros alunos uma atitude de respeito para com as diferenças raciais e culturais.

      Sendo a Antropologia, a ciência que estuda os seres humanos em sociedade e se dedica especialmente em desconstruir preconceitos, faz-se necessário trabalharmos com conteúdos consubstanciados sobre o que ajuda a sociedade a se entender. Para isso precisamos nos relativizar, pois precisamos entender que, a verdade do outro é tão verdadeira quanto a nossa.
  

Formação de professores: um processo complexo 

A invisibilidade da diversidade dos papéis e funções exercidos pelos homens e mulheres negros, entre outros, nas ilustrações dos livros didáticos podem ser corrigida, solicitando-se à criança que escreva outras atividades exercidas pelas mulheres e homens negros que constituem sua família, que moram na sua rua, que frequentam seu local de encontros religiosos e lazer, etc. Nessa oportunidade, convém fazer a criança identificar a importância das profissões estigmatizadas, mostrando a sua utilidade para a sociedade. ( SILVA, 2005, p.3)
 
O preconceito incutido na cabeça do professor e a sua incapacidade em lidar profissionalmente com a diversidade, somando-se ao conteúdo preconceituoso dos livros e materiais didáticos e às relações preconceituosas entre os alunos de diferentes ascendências étnico-raciais, sociais e outras desestimulam o aluno negro e prejudicam seu aprendizado. O que explica o coeficiente de repetência e evasão escolar altamente elevado do aluno negro, comparativamente ao do aluno branco.(MUNANGA, 2000, p.16)

Diversidade étnico-racial

Mulher  negra e professora.

Ser mulher negra e professora expressa uma outra maneira de ocupação do espaço público. (Gomes,2002)


Questão étnico-racial na sala de aula

A manifestação dos conflitos em sala de aula se materializa entre alunos por  meio  de apelidos discriminatórios  pela  não aceitação, por parte dos alunos negros, de  seu pertencimento étnico-racial e pela rejeição  que  sofrem as  crianças  de  pele mais escura.

Diversidade étnico-cultural: Uma necessidade e um desafio


Educar para uma diversidade étnica e cultural é  a principal  tarefa  para  a  compreensão da pluralidade de uma sociedade.
 
      O professor é uma pessoa; e uma parte importante da pessoa é o professor.(NOVOA,1995)citando Jennifer Nias(1991)
 


O Desafio da Diversidade

A diversidade étnico-cultural é um assunto pouco discutido. Além de muitos avanços nesse campo, como a inserção da discussão sobre a diversidade no campo da formação de professores.

Mas, alguns destes professores não se interessam por se aprofundar sobre este tema, uma vez que não faz parte de suas vidas, de seu cotidiano, seu lado profissional. 

Com os movimentos sociais a diversidade ganha força, onde é destacado que é necessário repensar a nossa escola e os processos de formação docente, assim, rompendo com as práticas seletivas e racistas ainda existentes.


Podemos dizer que a atuação de movimentos como o de mulheres, dos Negros, dos Povos Indígenas, dos Sem Terra trouxe com objetividade a questão da diversidade para a sociedade e tem pressionado a escola brasileira. Mais do que isso, a atuação desses movimentos começa a influenciar o nosso pensamento educacional. (GOMES e SILVA, 2002, p.26).




Ainda seguindo a linha de pensamento dessas autoras (Nilma e Petronilha), pensam sobra a importância da diversidade na formação do professor.


Ela é um componente dos processos de socialização, de conhecimento e de educação. Sem compreende-la e assumi-la não equacionaremos profissionalmente os processos educativos. Reconhecê-la é assumir uma nova relação com os processos de construção do conhecimento, dos valores e das identidades. É assumir uma nova postura profissional.(GOMES e SILVA, 2002, p.26).
 




Ao analisar as histórias de vida de professoras negras, Nilma Lino Gomes (1995) discute que essas mulheres lidam com um difícil processo de auto reconhecimento da sua identidade étnica. Essa dificuldade é resultado da vivência de práticas racistas e discriminatórias na infância, adolescência, juventude e idade adulta nos mais variados espaços sociais. A escola é um desses espaços e exerce um peso nesse processo. Essa é uma questão que não pode ficar ausente da discussão sobre a formação de professores/as. Ao considera-la, poderemos levantar vários questionamentos sobre a nossa prática: que caminhos construir para reconhecer e valorizar o outro na sua diferença quando vemos essa diferença como uma marca de inferioridade? Como respeitar o outro na sua diferença quando essa não é aceita por ele mesmo? (GOMES e SILVA, 2002, p.29).


Não há como negar que discutir sobre a formação de professores/as e diversidade étnico-cultural é uma tomada de posição repleta de complexidade, contradições, desafios e tensões. Questões como multiculturalismo, racismo, preconceito, discriminação racial e de gênero, etnocentrismo, ética, religiosidade, subjetividade, identidades e de que forma se encontram relacionadas à vida e às práticas dos sujeitos que vivenciam o cotidiano escolar precisam ser abordados com mais destaque pela produção teórica educacional. (GOMES e SILVA, 2002, p.30).
 

 

REFERÊNCIAS

GOMES,Nilma  Lino e SILVA, Petronilha Beatriz Gonçalves e,Experiências étnico-culturais para a formação de professores;Autêntica.Belo Horizonte,2002.

NOVOA, Antonio(coord.) Os professores e a sua formação. Lisboa:Dom Quixote, 1995

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