segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

ANTROPOLOGIA E EDUCAÇÃO



ANTROPOLOGIA E EDUCAÇÃO, 60h

Ementa: A construção do saber antropológico. A diversidade cultural: etnocentrismo e relativização. Perspectivas teóricas, prática etnográfica e método comparativo. O conceito de cultura como elemento estruturador do conhecimento antropológico. Educação como mecanismo de reprodução cultural. Universos simbólicos, a diversidade dos saberes e suas formas de transmissão. A etnografia do universo educacional. Construção da sociedade brasileira e a assimetria da diversidade. Antropologia da infância e horizontes de uma educação para um humanismo plural.


 CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DESSA DISCIPLINA:


1. Uma visão de conjunto da antropologia e de sua perspectiva
1.1. Os seres humanos: objetos e sujeitos da antropologia
1.2. Diversidade cultural, etnocentrismo e relativização
1.3. Perspectiva antropológica da história
1.4. O conceito de cultura como chave para o entendimento da vida em sociedade

2. Antropologia e Sociedade Brasileira
2.1. A sociedade brasileira e seus dilemas
2.1.1. Diversidade cultural e relações étnico-raciais
2.2. Folclore e cultura popular como categorias políticas

3. Antropologia, Educação e Diversidade Sócio-Cultural Brasileira
3.1. A escola como espaço sócio-cultural
3.2. Um modelo educativo e de sociedade: os PCN’s
3.3. Antropologia e formação de educadores: rumo a uma ética da alteridade





AVALIAÇÃO:

A avaliação, pautada em um acompanhamento processual do envolvimento dos alunos nas atividades realizadas no curso. Neste caso a participação individual nas aulas, elaboração de fichamentos, resumos e esquemas, outros trabalhos escritos, além da apresentação de seminários serão os principais mecanismos para a avaliação.


1ª Unidade -  Prova escrita sobre Cultura e Etnocentrismo.

2ª Unidade -  Seminário sobre Etnocentrismo.

3ª Unidade - Seminário sobre o tema: Prática do Racismo na Formação de Professores.


BIBLIOGRAFIA UTILIZADA NO SEMESTRE PARA OS ESTUDOS DA DISCIPLINA



ABRAMOWICZ, Anete. & SILVÉRIO, Valter Roberto. (orgs.). Afirmando Diferenças. Montando o Quebra Cabeças da Diversidade na Escola. Campinas, Ed. Papirus, 2005.

ALMEIDA, Mauro William Barbosa de. O Racismo nos Livros Didáticos. A Questão Indígena na Sala de Aula. Aracy Lopes da Silva (org.) São Paulo, Ed. Brasiliense, 1987.

BOURDIEU, Pierre. Reprodução Cultural e Reprodução Social.  A Economia das Trocas Simbólicas. São Paulo, Ed. Perspectiva, 1987.

BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (MEC). ORIENTAÇÕES E AÇÕES PARA A EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ÉTNICOS-RACIAIS. Brasília, MEC/SECAD, 2006.

__________________________________.PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS. Brasília, MEC. 1998.
CANDAU, Vera Maria Ferrão.“Sociedade, Cotidiano Escolar e Cultura(s): Uma Aproximação Educação & Sociedade, ano XXIII, no 79, Agosto/2002

CORTELLA, Mário Sérgio. A Escola e o Conhecimento fundamentos epistemológicos e políticos. São Paulo, Cortez Editora, 1998.

CUCHE, Denis. A noção de cultura nas ciências sociais. Bauru: EDUSC, 1999.


DAYRELL, Juarez (org.). Múltiplos Olhares sobre Educação e Cultura. Belo Horizonte, Ed. UFMG, 1996.

DA MATTA, Roberto. “Você Tem Cultura?” Suplemento Cultural do Jornal da Embratel. – Edição Especial. Setembro de 1981.
________________. RELATIVIZANDO: Uma Introdução à Antropologia Social. Petrópolis, Vozes, 1983.

_________________. Treze Pontos Riscados em Torno da Cultura Popular.  In: Anuário Antropológico 92, Rio de Janeiro, Ed. Tempo Brasileiro, 1994, p. 49-67.

LAPLANTINE, François. Aprender Antropologia. São Paulo, Brasiliense, 1988.

LARAIA, Roque de Barros. CULTURA: Um Conceito Antropológico. Rio de Janeiro, Zahar, 1996.
LÉVI-STRAUSS, Claude. “Raça e História” Antropologia Estrutural Dois. Rio de Janeiro, Ed. Tempo Brasileiro, 1987.

LUDKE, Menga & ANDRÉ, Marli. Pesquisa em Educação – Abordagens Qualitativas. São Paulo, E. P. U. , 1986.

MOREIRA, Antonio Flávio Barbosa. Currículo, Diferença Cultural e Diálogo: Educação e Sociedade, ano XXIII, nº 79, agosto de 2002.

MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a Mestiçagem no Brasil: identidade nacional versus identidade negra. Petrópolis, Vozes, 1999.

NOVAES, Regina R. Um Olhar Antropológico. In: Teves, Nilda (Org.). Imaginário social e educação. Rio de Janeiro, Gryphus/FE.UFRJ, 1992, p. 122-143.

QUINTELLA, Maria M. Diégues. Mães e Professoras: múltiplas visões de educação. Testemunha Ocular. Textos de Antropologia Social do Cotidiano. São Paulo, Ed. Brasiliense, 1984.

ROCHA, Everardo. O Que É Etnocentrismo. São Paulo, Ed. Brasiliense, Col. Primeiros Passos, 1991.

______________. Um Índio Didático: nota para o estudo de representações. In: Testemunha Ocular. Textos de Antropologia Social do Cotidiano. São Paulo, Ed. Brasiliense, 1984.

RODRIGUES, José Carlos.  Antropologia e Comunicação: Princípios Radicais. Rio de Janeiro, Espaço e Tempo, 1989.
SAMPAIO, José A. L. A Festa do Dois de Julho em Salvador e o Lugar do Índio. Revista de Cultura nº 1, Salvador, Fundação Cultural do Estado da Bahia, 1988.
SANCHIS, Pierre. A crise dos paradigmas em antropologia. In: DAYRELL, Juarez (Org.). Múltiplos olhares sobre a educação e cultura. Belo Horizonte, Editora UFMG, 1996, p. 23-38.

SANTOS, Boaventura Souza. Para uma pedagogia do conflito. In: Silva, Luiz H. et al (Orgs.). Novos mapas culturais. Novas perspectivas educacionais. Porto Alegre, Sulina/SME, 1995, p. 15-33.

SEYFERTH, Giralda. A Invenção da Raça e o Poder Discricionário dos Estereótipos. Anuário Antropológico/93, Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 1995.

SILVA, Aracy Lopes & GRUPIONI, Luís Donisete Benzi. A Temática Indígena na Escola. Novos Subsídios para Professores de 1° e 2° Graus. Brasília, MEC/MARI/UNESCO, 1995.


THOMAZ, Omar Ribeiro. A Antropologia e o Mundo Contemporâneo: Cultura e Diversidade. In: SILVA, Aracy Lopes & GRUPIONI, Luís Donisete Benzi. A Temática Indígena na Escola. Novos Subsídios para Professores de 1° e 2° Graus. Brasília, MEC/MARI/UNESCO, 1995.

VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo B. Sociedades Indígenas e Natureza na Amazônia. In: SILVA, Aracy Lopes & GRUPION I, Luís Donisete Benzi. A Temática Indígena na Escola. Novos Subsídios para Professores de 1° e 2° Graus. Brasília, MEC/MARI/UNESCO, 1995.

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Na primeira aula dessa disciplina foi discutido o termo ANTROPOLOGIA, conceito, desenvolvimento,  bem como outros termos  relacionados: 

O que é o homem? - Ser humano.

O que o mito para a Antropologia?Narrativa de contos que definem o que seja o mundo.

O que é a Antropologia? - é a ciência que estuda o homem por inteiro, como um todo, preocupando-se com os vários aspectos da existência humana.

•  Como se deu o desenvolvimento da Antropologia?

A Antropologia se desenvolveu com o estudo dos povos sem tradição escrita, obrigando antropólogos a tentar entender língua, economia, religião, mitologia, leis como partes de um todo e não como fragmentos estanques, tornando-se generalista ao invés de especialista.

Como se dá abordagem antropológica?
A abordagem antropológica de base é a observação direta dos comportamentos sociais a partir de uma relação humana. E o seu ponto de partida é a posição e o ponto de vista do outro; estudando-o por todos os meios disponíveis, usando dados históricos, fatos econômicos, material político, tudo deve ser incluído no processo de entendimento de uma forma de vida social diferente.

• De que forma se realiza o trabalho de campo da Antropologia?
O trabalho de campo é o modo característico de coleta de dados para reflexão teórica. Requer uma vivência longa e profunda com outros modos de vida, com outros valores e outros sistemas de relações sociais. Experiência controlada através da comparação de uma sociedade com outra e pela convivência com o mundo social.

Qual a diferença entre a etnografia, a etnologia e a antropologia
 
Segundo Laplantine,1996,p.25) “a etnografia, a etnologia e a antropologia constituem os três momentos de uma mesma abordagem.



A etnografia é a coleta direta, e o mais minucioso possível, dos fenômenos que observamos, por uma impregnação duradoura e contínua e um processo que se realiza por aproximações sucessivas (...). 

A etnologia consiste em um primeiro nível de abstração: analisando os materiais colhidos, fazer aparecer a lógica específica da sociedade que se estuda. 

A antropologia, finalmente, consiste em um segundo nível de inteligibilidade: construir modelos que permitam comparar as sociedades entre si...” .

No final das contas, é tudo ANTROPOLOGIA.



Segundo Laplantine (1996,p.21): “aquilo que tomávamos por natural em nós mesmo é, de fato, cultural; aquilo que era evidente é infinitamente problemático”. Isso é alteridade - Descoberta proporcionada pela distância em relação a nossa sociedade.



Daí a necessidade na formação antropológica do “estranhamento”, isto é, a perplexidade provocada pelo encontro das culturas que são para nós as mais distantes, levando tal encontro à modificação do olhar que se tinha de si mesmo. Presos a uma única cultura ficamos cegos às outras e míopes em relação a nossa.

A experiência e elaboração da alteridade levam a ver aquilo que nem se consegue imaginar devido à dificuldade em prestar atenção ao que é habitual, familiar, cotidiano e considerado evidente.
 

Principais características da perspectiva antropológica em relação aos seres humanos e o significado do que o autor denomina de "desnaturalizador do olhar"?

A Antropologia em um certo olhar, um certo enfoque consiste em estudar o homem por inteiro e em todas as sociedades humanas, ou seja, as culturas da humanidade como um todo em suas diversidades históricas e geográficas.


Nossas próprias atitudes frente a outros grupos sociais com os quais convivemos nas grandes cidades são, muitas vezes, repletas de resquícios de atitudes etnocêntricas. Rotulamos e aplicamos estereótipos através dos quais nos guiamos para o confronto cotidiano com a diferença. As ideias etnocêntricas que temos sobre as “mulheres”, os “negros”, os “empregados”, os “paraíbas de obra”, os “colunáveis”, os “doidões”, os “surfistas”, as “dondocas”, os “velhos”, os “caretas”, os “vagabundos”, os gays e todos os demais “outros” com os quais temos familiaridade, são uma espécie de “conhecimento” um “saber”, baseado em formulações ideológicas, que no fundo transforma a diferença pura e simples num juízo de valor perigosamente etnocêntrico. 


 Existem cinco áreas da antropologia que o pesquisador deve estudar ao trabalhar de maneira ampla:
1 – Antropologia Biológicaconsiste no estudo das variações dos caracteres biológicos do homem no espaço e no tempo. Sua problemática é a das relações entre o patrimônio genético e o meio (geográfico, ecológico, social), ela analisa as particularidades morfológicas e fisiológicas ligadas a um meio ambiente, bem como a evolução destas particularidades. (p 17)
2 – Antropologia Pré-históricaÉ o estudo do homem através dos vestígios materiais enterrados no solo (ossadas, mas também quaisquer marcas da atividade humana). Seu projeto, que se liga a arqueologia, vida reconstruir as sociedades desaparecidas, tanto em suas técnicas e organizações sociais, quanto em suas produções culturais e artísticas. (p 17)
3 – Antropologia LinguísticaA linguagem é, com toda evidência, parte do patrimônio cultural de uma sociedade. É através dela que os indivíduos que compõem uma sociedade se expressam e expressam seus valores, suas preocupações, seus pensamentos. Só o estudo da língua permite: Compreender como os homens pensam o que vivem e o que sentem; como eles expressam o universo e o social; como, eles interpretam seus próprios saber e saber-fazer.
4 – Antropologia PsicológicaConsiste no estudo dos processos e do funcionamento do psiquismo humano. Somente através dos comportamentos – conscientes e inconscientes – dos seres humanos particulares podemos apreender essa totalidade sem a qual não é antropologia. É a razão pela qual a dimensão psicológica (e também psicopatológica) é absolutamente indissociável do campo do qual procuramos aqui dar conta.(p 19)
5 – Antropologia Social e Cultural (ou etnologia) – Diz respeito a tudo quanto constitui sociedade: seus modos de produção econômica suas técnicas, sua organização política e jurídica, seus sistemas de parentesco, seus sistemas de conhecimento, suas crenças religiosas, sua língua.


LAPLANTINE, François. Aprender Antropologia. São Paulo, Brasiliense, 1996.




Próximo texto: ETNOCENTRISMO


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                                                 ETNOCENTRISMO

Esse assunto foi muito discutido em sala de aula   Etnocentrismo.  Um conceito antropológico que se refere à avaliação que um indivíduo ou grupo de pessoas faz de um grupo social diferente do seu, apenas baseada nos valores, referências e padrões adotados pelo grupo social do qual o próprio indivíduo ou grupo fazem parte.


Essa avaliação é, do ponto de vista específico, um tanto preconceituosa. Do ponto de vista intelectual, define-se como  a dificuldade de pensar a diferença, de ver o mundo com os olhos dos outros.



O fato de que o homem vê o mundo através de sua cultura, tem como consequência a tendência a considerar o seu modo de vida como o mais correto e o mais natural. Tal tendência, denominada etnocentrismo, é responsável em seus casos extremos pela ocorrência de  muitos conflitos sociais.



Não existem grupos superiores ou inferiores, mas grupos diferentes.A  tendência do ser humano nas sociedades é de repudiar ou negar tudo que lhe é diferente ou não está de acordo com suas tendências,costumes e hábitos.



Estudamos esse assunto, "Etnocentrismo" no livro: O que é etnocentrismo? do autor Everardo Rocha e muito interessante é uma história que ele conta referente ao etnocentrismo e nos faz entender muito bem esse termo. A história é a seguinte:



"Ao receber a missão de ir pregar junto aos selvagens um pastor se preparou durante dias para vir ao Brasil e iniciar no Xingu seu trabalho de evangelização e catequese. Muito generoso, comprou para os selvagens contas, espelhos, pentes, etc.; modesto, comprou para si próprio apenas um moderníssimo relógio digital capaz de acender luzes, alarmes, fazer contas, marcar segundos, cronometrar e até dizer a hora sempre absolutamente certa, infalível. Ao chegar, venceu as burocracias inevitáveis e, após alguns meses, encontrava-se em meio às sociedades tribais do Xingu distribuindo seus presentes e sua doutrinação. Tempos depois, fez-se amigo de um índio muito jovem que o acompanhava a todos os lugares de sua pregação e mostrava-se admirado de muitas coisas, especialmente, do barulhento, colorido e estranho objeto que o pastor trazia no pulso e consultava frequentemente. Um dia, por fim, vencido por insistentes pedidos, o pastor perdeu seu relógio dando-o, meio sem jeito e a contragosto, ao jovem índio. 



         A surpresa maior estava, porém, por vir. Dias depois, o índio chamou-o apressadamente para mostrar-lhe, muito feliz, seu trabalho. Apontando seguidamente o galho superior de uma árvore altíssima nas cercanias da aldeia, o índio fez o pastor divisar, não sem dificuldade, um belo ornamento de penas e contas multicolores tendo no centro o relógio. O índio queria que o pastor compartilhasse a alegria da beleza transmitida por aquele novo e interessante objeto. Quase indistinguível em meio às penas e contas e, ainda por cima, pendurado a vários metros de altura, o relógio, agora mínimo e sem nenhuma função, contemplava o sorriso inevitavelmente amarelo no rosto do pastor. Fora-se o relógio. 



          Passados mais alguns meses o pastor também se foi de volta para casa. Sua tarefa seguinte era entregar aos superiores seus relatórios e, naquela manhã, dar uma última revisada na comunicação que iria fazer em seguida aos seus colegas em congresso sobre evangelização. Seu tema: “A catequese e os selvagens”. Levantou-se, deu uma olhada no relógio novo, quinze para as dez. Era hora de ir. Como que buscando uma inspiração de última hora examinou detalhadamente as paredes do seu escritório. Nelas, arcos, flechas, tacapes, bordunas, cocares, e até uma flauta formavam uma bela decoração. Rústica e sóbria ao mesmo tempo, trazia-lhe estranhas lembranças. Com o pé na porta ainda pensou e sorriu para si mesmo. Engraçado o que aquele índio foi fazer com o meu relógio.



       Esta história, não necessariamente verdadeira, porém, de toda evidência, bastante plausível, demonstra alguns dos importantes sentidos da questão do etnocentrismo



Comentário da história - Em primeiro lugar, não é necessário ser nenhum detetive ou especialista em Antropologia Social (ou ainda pastor) para perceber que, neste choque de culturas, os personagens de cada uma delas fizeram, obviamente, a mesma coisa. Privilegiaram ambos as funções estéticas, ornamentais, decorativas de objetos que, na cultura do “outro”, desempenhavam funções que seriam principalmente técnicas. Para o pastor, o uso inusitado do seu relógio causou tanto espanto quanto o que causaria ao jovem índio conhecer o uso que o pastor deu a seu arco e flecha. Cada um “traduziu” nos termos de sua própria cultura o significado dos objetos cujo sentido original foi forjado na cultura do “outro”. O etnocentrismo passa exatamente por um julgamento do valor da cultura do “outro” nos termos da cultura do grupo do “eu”.
 
Em segundo lugar, esta estória representa o que se poderia chamar, se isso fosse possível, de um etnocentrismo “cordial”, já que ambos – o índio e o pastor – tiveram atitudes concretas sem maiores consequências. Outras vezes, o etnocentrismo implica uma apreensão do “outro” que se reveste de uma forma bastante violenta. Como por exemplo, pode colocá-lo como “primitivo”, como “algo a ser destruído”, como “atraso ao desenvolvimento”, (aliás, muito comum e de uso geral no etnocídio, na matança dos índios). 

Em terceiro lugar, a estória ainda ensina que o “outro” e sua cultura, da qual falamos na nossa sociedade, são apenas uma representação, uma imagem distorcida que é manipulada como bem entendemos. Ao “outro” negamos aquele mínimo de autonomia necessária para falar de si mesmo. 

Everardo P. Guimarães Rocha   O QUE É ETNOCENTRISMO?  1ª edição 1984 5ª edição  editora brasiliense 1988.

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