DISCIPLINA: ANTROPOLOGIA E EDUCAÇÃO
PROFESSOR: Marcos Luciano Lopes Messeder
ALUNA(O): Celeste Maria Fonseca Menezes
AVALIAÇÃO DA 1ª UNIDADE
INSTRUÇÕES: Leia atentamente as questões e procure
refletir cuidadosamente sobre o que está sendo solicitado. Sua redação deve
buscar independência em relação aos textos consultados. Este é um princípio
fundamental na construção de trabalhos científicos. A sua perspectiva em
relação aos temas é a meta a ser alcançada. Bom trabalho e tranqüilidade.
QUESTÃO 1. A partir do trecho abaixo analise a perspectiva
antropológica em relação aos seres humanos e comente o significado do
aprendizado desta disciplina para sua formação como educador e como pessoa.
“Além disso, apenas a distância em relação a nossa
sociedade (mas uma distância que faz com que nos tornemos extremamente próximos
daquilo que é longínquo) nos permite fazer esta descoberta: aquilo que
tomávamos por natural em nós mesmos é, de fato, cultural; aquilo que era
evidente é infinitamente problemático. Disso decorre a necessidade,
na formação antropológica, daquilo que não hesitarei em chamar de
"estranhamento" (depaysement),
a perplexidade provocada pelo encontro das culturas que são para nós as
mais distantes, e cujo encontro vai levar a uma modificação do olhar que se tinha sobre si mesmo. De
fato, presos a uma única cultura, somos não apenas cegos à dos outros, mas
míopes quando se trata da nossa. A experiência da alteridade (e a elaboração
dessa experiência) leva-nos a ver aquilo
que nem teríamos conseguido imaginar, dada a nossa dificuldade em fixar nossa
atenção no que nos é habitual, familiar, cotidiano, e que consideramos
"evidente". Aos poucos, notamos que o menor dos nossos comportamentos
(gestos, mímicas, posturas, reações afetivas) não tem realmente nada de
"natural". Começamos, então, a nos surpreender com aquilo que diz
respeito a nós mesmos, a nos espiar. O conhecimento (antropológico) da nossa
cultura passa inevitavelmente pelo conhecimento das outras culturas; e devemos
especialmente reconhecer que somos uma cultura possível entre tantas outras,
mas não a única. Aquilo que, de fato, caracteriza a unidade do homem, de que a antropologia, como já o dissemos e
voltaremos a dizer, faz tanta questão, é sua aptidão praticamente infinita para
inventar modos de vida e formas de organização social extremamente diversos.”(Laplantine,
François. 1988:21)
Resposta 1 - Segundo o trecho
de Laplantine, François (1988), o significado do aprendizado da disciplina de
antropologia para minha formação como pessoa e como educadora, é olhar o
“outro” como um ser humano, um ser individual. Cada ser humano nasce com características próprias e ao
longo do tempo de sua evolução vai adquirindo outras, e acumulando-as, de
acordo com a sociedade da qual faz parte. Costuma-se entender as formas de
comportamento, de vida, como formas naturais de viver. Mas na realidade, essas
maneiras, costumes, hábitos, enfim, formas comportamentais são produtos de
escolhas culturais, ou seja, fazem parte
da elaboração coletiva da vida social. Os seres humanos, têm em comum, uma
capacidade de se diferenciar uns dos outros, através de hábitos de convivência,
modo de falar, andar, dormir, etc. A tendência do ser humano nas sociedades
é de rejeitar ou negar tudo que lhe é diferente ou não está de acordo com suas
tendências, costumes e hábitos. Coisas aparentemente naturais como a emoção, são regulamentadas pela cultura. O
fato de que o homem vê o mundo através de sua cultura tem como
consequência a propensão em considerar o seu modo de vida como o mais correto e
o mais natural. O encontro e compreensão de outras culturas modifica o olhar
sobre si mesmo. O estranhamento é questionar, reavaliar, observar e sobretudo,
reconhecer e aceitar a diferença. Os seres humanos possuem um instinto nato que os
habilita a identificar tudo quanto seja a eles estranho, ou diferente. Nós
costumamos separar as coisas quase que geralmente em dois grupos distintos e
bem contornados: o grupo do “eu” ou do “nós” e o grupo do “outro”.
QUESTÃO 2 - Defina o
etnocentrismo e a perspectiva antropológica da relativização. Em seguida analise
as suas implicações para o ensino de História, considerando a crítica à visão
unilinear do desenvolvimento da humanidade. Discuta como o entendimento destas
questões pode contribuir para mudanças nas práticas educacionais.
Resposta 2 - O etnocentrismo é o julgamento feito sobre o “outro” sem o conhecimento de seus modos de
vida, costumes, religião, tradições, etc. É como um pré-conceito, uma negação
da humanidade do outro, um “estranhamento”. Comportamentos etnocêntricos resultam em
apreciações negativas dos padrões culturais de povos diferentes, práticas de
outros sistemas culturais são vistas como absurdas. Através da experiência da
“diferença” passa-se a notar que o menos dos comportamentos não é natural,
causando surpresa sobre nós mesmos.O etnocentrismo é um comportamento
universal. É comum a crença de que a própria sociedade é o centro da
humanidade. O homem considerando o seu modo de vida como o mais correto,
menosprezando o comportamento daqueles que agem fora dos padrões de sua
comunidade, discriminando o comportamento desviante, está praticando o
etnocentrismo. Como por exemplo: Uma postura
do professor ao fazer o juízo de valor de certo grupo de alunos, quando durante
a aula as conversas paralelas atrapalham a sala, o grupo dos
"aplicados".O professor toma partido do grupo dos bons alunos, briga
com os "alunos problema" aumentando a "rivalidade"
existente entre eles gerando conflitos. É certo a perspectiva antropológica da
relativização, a contraposição do etnocentrismo, pois quando compreendemos o
"outro" nos seus próprios valores e não nos nossos, estamos fazendo
uma relativização. Relativizar é ver as coisas do mundo como uma relação, capaz
de ter um início, um fim ou uma transformação. É ver que a verdade está mais no
olhar que naquilo que é olhado. Relativizar é não transformar a diferença em
superiores e inferiores ou em bem e mal.
Nesse caso, o professor poderia promover interações dos grupos diferentes,
pois pessoas diferentes, costumes
diferentes possibilitam novas coisas a se aprender. Esse tipo de postura da
escola é muito difícil. Os caminhos que
a humanidade percorreu desde seus primórdios até os dias atuais levando o
conceito de história e pré-história dos seres
humanos tem importante significação para
o meu estudo e práticas pedagógicas, por ser esse percurso da humanidade
considerado como uma forma de progresso. A Antropologia em um certo olhar, um certo enfoque consiste em
estudar o homem por inteiro e em todas as sociedades humanas, ou seja, as
culturas da humanidade como um todo em suas diversidades históricas e
geográficas.
QUESTÃO 3 - Analise e
comente o seguinte trecho do texto de Roberto Da Matta:
“Cultura é, em Antropologia Social
e Sociologia, um mapa, um receituário, um código através do qual as pessoas de
um dado grupo pensam, classificam, estudam e modificam o mundo e a si mesmas. É
justamente porque compartilham de parcelas importantes deste código (a cultura)
que um conjunto de indivíduos com interesses e capacidades distintas e até
mesmo opostas, transformam-se num grupo e podem viver juntos sentindo-se parte
de uma mesma totalidade. Podem, assim, desenvolver relações entre si porque a
cultura lhes forneceu normas que dizem
respeito aos modos, mais (ou menos) apropriados de comportamento diante de
certas situações. Por outro lado, a cultura não é um código que se escolhe
simplesmente. É algo que está dentro e fora de cada um de nós, como as regras
de um jogo de futebol, que permitem o entendimento do jogo e, também, a ação de
cada jogador, juiz, bandeirinha e torcida. Quer dizer, as regras que formam a
cultura (ou a cultura como regra) é algo que permite relacionar indivíduos
entre si e o próprio grupo com o ambiente onde vivem.”
Ou
se preferir descreva e analise situações do seu cotidiano capazes de
evidenciar os elementos ou dimensões do conceito antropológico de
cultura definido pelo autor.
Resposta 3 - Cultura é conjunto de regras que nos diz como o mundo
pode e deve ser classificado. É o conjunto de conhecimentos, saberes, crenças,
valores espirituais e materiais transmitidos individual ou coletivamente
e característico de uma sociedade. É a
capacidade humana de atribuir significados às ações e ao mundo. Usamos a
cultura para classificar as pessoas e, às vezes, grupos sociais, etnia, ou
mesmo sociedades inteiras. Do mesmo modo é comum ouvir-se referências à
humanidade, cujos valores seguem tradições diferentes e desconhecidas. Como
exemplo, na minha família, a minha avó materna, descendente de português, tinha
o costume e tradição de rezar para Santo Antonio todo ano. Ela realizava uma
trezena que começava desde o primeiro dia do mês de junho e nos dias 11,12 e 13
ela comemorava com festas e ainda armava fogueira no terreiro na frente da
casa. Lembro-me bem do altar que ela armava num cantinho da sala. Enfeitava-o
com anjos, velas e flores e no centro, na parte alta do altar ela colocava a
imagem de Santo Antonio. As orações eram
cantadas durante treze dias, daí o nome
trezena. Minha avó dedicava os três últimos dias, respectivamente, para as
crianças, para os casados e para os solteiros, em especial, as moças. Logo
depois das rezas cantadas, ela distribuía bolos, doces, balas, bombons,
canjica, mingaus, enfim, toda a iguaria junina. Costumes e tradições de pessoas
que viveram antes de mim. Que adquiriram de seus antecedentes e num processo
acumulativo passaram de geração em geração. Pois a cultura é um processo
acumulativo. O homem recebe conhecimentos e experiências acumulados ao longo
das gerações que o antecederam e, se estas informações forem adequadas e
criativamente manipuladas, permitirão inovações e invenções. Assim, estas não
são o resultado da ação isolada de uma única pessoa, mas o esforço de toda uma
comunidade.Durante um bom tempo em minha vida, presenciei e participei desse
costume tradicional de minha avó e de outras famílias daquela época. Atualmente
ainda se sabe de algumas pessoas que mantêm essa tradição, quando não rezam,
mantêm armado o altar durante todo o mês junino. Através da cultura o homem vê
o mundo - pessoas de culturas diferentes, com visões distintas das coisas.
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AVALIAÇÃO DA 2ª UNIDADE
Essa segunda avaliação trata-se de um seminário em grupo onde foram apresentados assuntos como:
O QUE É O ETNOCENTRISMO?
ROCHA, Everardo P. Guimarães. O
que é etnocentrismo. 3ª ed. São Paulo, Brasiliense, 1986.
. Definição de etnocentrismo;
. Tendência de Negação;
. Visão antropológica de
relativização;
. Evolucionismo;
. Cultura e comportamentos etnocêntricos.
O QUE É O ETNOCENTRISMO?
Etnocentrismo é um
conceito antropológico,
primeiro o qual a visão ou avaliação que um indivíduo ou grupo de pessoas faz
de um grupo social diferente do seu é apenas baseada nos valores, referências e
padrões adotados pelo grupo social ao qual o próprio indivíduo ou grupo fazem
parte.
O
fato de que o ser humano vê o mundo através de sua cultura tem como
consequência a propensão em considerar o seu modo de vida como o mais correto e
o mais natural. Tal tendência, denominada etnocentrismo, é responsável em seus
casos extremos pela ocorrência de numerosos conflitos sociais.
Não
existem grupos superiores ou inferiores, mas grupos diferentes. Um grupo pode
ter menor desenvolvimento tecnológico, se comparado a outro mas, possivelmente,
é mais adaptado a determinado ambiente, além de não possuir diversos problemas
que esse grupo "superior" possui.
Tendência de Negação
A
tendência do ser humano nas sociedades é de repudiar ou negar tudo que lhe é
diferente ou não está de acordo com suas tendências, costumes e hábitos. Na
civilização grega, o bárbaro, era o que "transgredia" toda a lei e
costumes da época; este termo é, portanto, etimologicamente semelhante ao
selvagem na sociedade ocidental.
O
costume de discriminar os que são diferentes, porque pertencem a outro grupo,
pode ser encontrado dentro de uma sociedade. Agressões verbais, e até físicas,
praticadas contra os estranhos que se arriscam em determinados bairros
periféricos de nossas grandes cidades é um dos exemplo.
Incluem-se
aqui as pessoas que observam as outras culturas em função da sua própria
cultura, tomando-a como padrão para valorizar e hierarquizar as restantes.
O que é o ETNOCENTRISMO?
“Etnocentrismo
é uma visão de mundo onde o nosso próprio grupo é tomado como centro de tudo e
todos os outros são pensados e sentidos através dos nossos valores, nossos
modelos, nossas definições do que é a existência” — assim define-se o
etnocentrismo nas primeiras palavras do seu livro (ROCHA,1986,p. 5).
Os
seres humanos possuem um instinto nato que os habilita a identificar tudo
quanto seja a eles estranho, ou diferente. Costumamos separar as coisas quase
que geralmente em dois grupos distintos e bem contornados: o grupo do “eu” ou
do “nós” e o grupo do “outro”. Essa separação ocorre, de acordo com o livro,
devido a um “fenômeno onde se misturam tanto elementos intelectuais e racionais
quanto elementos emocionais e afetivos”. (p. 5).
E
ainda afirma o autor, que os elementos intelectuais incluem uma dificuldade de
se pensar a diferença, já os elementos emocionais se tratam de sentimentos como
estranheza, medo, hostilidade etc.
Visão Antropológica da Relativização
No plano histórico, o surgimento da visão
antropológica do relativismo ou da relativização, no livro do autor Everardo
Rocha, traça-se uma linha contextual, narrando os limiares das visões
antropológicas que antecederam a visão de relativização. (pp. 26, 27) Inicia-se
com o surgimento das teorias evolucionistas tal como uma tentativa de
explicação racional para as diferenças entre as culturas.
O evolucionismo é uma visão de mundo etnocêntrica
por visualizar as demais culturas meramente como estágios de evolução
correspondentes a estágios anteriores ao nosso. No entanto, as teorias
evolucionistas são mais avançadas do que as visões etnocêntricas anteriores,
segundo o livro, por tratar as demais culturas como “humanas”, embora
“atrasadas” ou “menos evoluídas”. (p. 37)
Os principais contribuintes dessa corrente foram
James Frazer, Edward Tylor e Lewis Morgan.
O Evolucionismo
O evolucionismo acabou por contribuir para a
relativização futura por tratar o diferente como humano, o que se trata de um
paradoxo. E isso se deu, na realidade, pela dificuldade teórica dos
evolucionistas em determinar um referencial seguro para se medir a “evolução”
cultural. Além disso, o trabalho de campo ou pesquisa de campo deu ímpeto a
novas análises antropológicas, visto que os cientistas que empregavam tal
método podiam agora conviver diretamente com as culturas estudadas em questão.
O antropólogo Bronislaw Malinowski foi um dos
principais fundadores dessa forma de análise. Mas, antes dele, surgiram algumas
escolas ou “doutrinas” antropológicas “intermediárias”, entre elas: os estudos
realizados por Franz Boas (pp. 40-45), a escola personalidade e cultura (p.
55), o reducionismo (p. 56), os estudos de Julien Steward (p. 59), entre outros.
Cultura e Comportamentos Etnocêntricos
A cultura é o meio de adaptação do homem aos
diferentes ambientes. Ao invés de adaptar o seu equipamento biológico, como os
animais, o homem utiliza equipamentos
extra orgânicos. Por exemplo, a baleia perdeu os membros e os pelos e adquiriu
nadadeiras para se adaptar ao ambiente marítimo. Enquanto a baleia teve que
transformar-se ela mesma num barco, o homem utiliza um equipamento exterior ao
corpo para navegar.
A cultura é um processo acumulativo. O homem recebe
conhecimentos e experiências acumulados ao longo das gerações que o antecederam
e, se estas informações forem adequada e criativamente manipuladas, permitirão
inovações e invenções. Assim, estas não são o resultado da ação isolada de um
gênio, mas o esforço de toda uma comunidade.
A cultura é uma lente através da qual o homem vê o
mundo - pessoas de culturas diferentes usam lentes diferentes e, portanto, têm
visões distintas das coisas.
Comportamentos etnocêntricos resultam em apreciações
negativas dos padrões culturais de povos diferentes, práticas de outros
sistemas culturais são vistas como absurdas.
O etnocentrismo é um comportamento universal. É
comum a crença de que a própria sociedade é o centro da humanidade.
A reação oposta ao etnocentrismo é a apatia. Em
lugar da superestima dos valores de sua própria sociedade, num momento de crise
os indivíduos abandonam a crença naquela cultura e perdem a motivação que os
mantém unidos.
Etnocentrismo é o julgamento feito sobre o
“outro” sem o conhecimento de seus modos
de vida, costumes, religião, tradições, etc. É como um pré-conceito, uma
negação da humanidade do outro, um “estranhamento”. O fato de que o homem vê o
mundo através de sua cultura tem como consequência a tendência em considerar o
seu modo de vida como o mais correto (isso é denominado etnocentrismo),
menosprezando o comportamento daqueles que agem fora dos padrões de sua
comunidade, discriminando o comportamento desviante.
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