segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

CULTURA E ETNOCENTRISMO

Esta foi a primeira avaliação da disciplina. O professor avaliava também a participação nos debates e discussões dos textos na sala de aula, e também os seminários realizados na sala.        

DISCIPLINA: ANTROPOLOGIA E EDUCAÇÃO

PROFESSOR: Marcos Luciano Lopes Messeder

ALUNA(O): Celeste  Maria Fonseca Menezes



AVALIAÇÃO DA 1ª UNIDADE





INSTRUÇÕES:  Leia atentamente as questões e procure refletir cuidadosamente sobre o que está sendo solicitado. Sua redação deve buscar independência em relação aos textos consultados. Este é um princípio fundamental na construção de trabalhos científicos. A sua perspectiva em relação aos temas é a meta a ser alcançada. Bom trabalho e tranqüilidade.





QUESTÃO 1. A partir do trecho abaixo analise a perspectiva antropológica em relação aos seres humanos e comente o significado do aprendizado desta disciplina para sua formação como educador e como pessoa.





Além disso, apenas a distância em relação a nossa sociedade (mas uma distância que faz com que nos tornemos extremamente próximos daquilo que é longínquo) nos permite fazer esta descoberta: aquilo que tomávamos por natural em nós mesmos é, de fato, cultural; aquilo que era evidente é infinitamente problemático. Disso decorre a necessidade, na formação antropológica, daquilo que não hesitarei em chamar de "estranhamento" (depaysement), a perplexidade provocada pelo encontro das culturas que são para nós as mais distantes, e cujo encontro vai levar a uma modificação do olhar que se tinha sobre si mesmo. De fato, presos a uma única cultura, somos não apenas cegos à dos outros, mas míopes quando se trata da nossa. A experiência da alteridade (e a elaboração dessa experiência) leva-nos a ver aquilo que nem teríamos conseguido imaginar, dada a nossa dificuldade em fixar nossa atenção no que nos é habitual, familiar, cotidiano, e que consideramos "evidente". Aos poucos, notamos que o menor dos nossos comportamentos (gestos, mímicas, posturas, reações afetivas) não tem realmente nada de "natural". Começamos, então, a nos surpreender com aquilo que diz respeito a nós mesmos, a nos espiar. O conhecimento (antropológico) da nossa cultura passa inevitavelmente pelo conhecimento das outras culturas; e devemos especialmente reconhecer que somos uma cultura possível entre tantas outras, mas não a única. Aquilo que, de fato, caracteriza a unidade do homem, de que a antropologia, como já o dissemos e voltaremos a dizer, faz tanta questão, é sua aptidão praticamente infinita para inventar modos de vida e formas de organização social extremamente diversos.”(Laplantine, François. 1988:21)





Resposta 1 - Segundo o trecho de Laplantine, François (1988), o significado do aprendizado da disciplina de antropologia para minha formação como pessoa e como educadora, é olhar o “outro” como um ser humano, um ser individual. Cada ser humano nasce com características próprias e ao longo do tempo de sua evolução vai adquirindo outras, e acumulando-as, de acordo com a sociedade da qual faz parte. Costuma-se entender as formas de comportamento, de vida, como formas naturais de viver. Mas na realidade, essas maneiras, costumes, hábitos, enfim, formas comportamentais são produtos de escolhas  culturais, ou seja, fazem parte da elaboração coletiva da vida social. Os seres humanos, têm em comum, uma capacidade de se diferenciar uns dos outros, através de hábitos de convivência, modo de falar, andar, dormir, etc. A tendência do ser humano nas sociedades é de rejeitar ou negar tudo que lhe é diferente ou não está de acordo com suas tendências, costumes e hábitos. Coisas aparentemente naturais como a  emoção, são regulamentadas pela cultura. O fato de que o homem vê o mundo através de sua cultura tem como consequência a propensão em considerar o seu modo de vida como o mais correto e o mais natural. O encontro e compreensão de outras culturas modifica o olhar sobre si mesmo. O estranhamento é questionar, reavaliar, observar e sobretudo, reconhecer e aceitar a diferença. Os seres humanos possuem um instinto nato que os habilita a identificar tudo quanto seja a eles estranho, ou diferente. Nós costumamos separar as coisas quase que geralmente em dois grupos distintos e bem contornados: o grupo do “eu” ou do “nós” e o grupo do “outro”.    





QUESTÃO 2 - Defina o etnocentrismo e a perspectiva antropológica da relativização. Em seguida analise as suas implicações para o ensino de História, considerando a crítica à visão unilinear do desenvolvimento da humanidade. Discuta como o entendimento destas questões pode contribuir para mudanças nas práticas educacionais.


Resposta 2 - O etnocentrismo é o julgamento feito sobre o “outro”  sem o conhecimento de seus modos de vida, costumes, religião, tradições, etc. É como um pré-conceito, uma negação da humanidade do outro, um “estranhamento”.  Comportamentos etnocêntricos resultam em apreciações negativas dos padrões culturais de povos diferentes, práticas de outros sistemas culturais são vistas como absurdas. Através da experiência da “diferença” passa-se a notar que o menos dos comportamentos não é natural, causando surpresa sobre nós mesmos.O etnocentrismo é um comportamento universal. É comum a crença de que a própria sociedade é o centro da humanidade. O homem considerando o seu modo de vida como o mais correto, menosprezando o comportamento daqueles que agem fora dos padrões de sua comunidade, discriminando o comportamento desviante, está praticando o etnocentrismo. Como por exemplo: Uma postura do professor ao fazer o juízo de valor de certo grupo de alunos, quando durante a aula as conversas paralelas atrapalham a sala, o grupo dos "aplicados".O professor toma partido do grupo dos bons alunos, briga com os "alunos problema" aumentando a "rivalidade" existente entre eles gerando conflitos. É certo a perspectiva antropológica da relativização, a contraposição do etnocentrismo, pois quando compreendemos o "outro" nos seus próprios valores e não nos nossos, estamos fazendo uma relativização. Relativizar é ver as coisas do mundo como uma relação, capaz de ter um início, um fim ou uma transformação. É ver que a verdade está mais no olhar que naquilo que é olhado. Relativizar é não transformar a diferença em superiores e inferiores ou em bem  e mal. Nesse caso, o professor poderia promover interações dos grupos diferentes, pois  pessoas diferentes, costumes diferentes possibilitam novas coisas a se aprender. Esse tipo de postura da escola é muito difícil.  Os caminhos que a humanidade percorreu desde seus primórdios até os dias atuais levando o conceito de história  e pré-história dos seres humanos  tem importante significação para o meu estudo e práticas pedagógicas, por ser esse percurso da humanidade considerado como uma forma de progresso.  A Antropologia em um certo olhar, um certo enfoque consiste em estudar o homem por inteiro e em todas as sociedades humanas, ou seja, as culturas da humanidade como um todo em suas diversidades históricas e geográficas. 

 

QUESTÃO 3 - Analise e comente o seguinte trecho do texto de Roberto Da Matta:



“Cultura é, em Antropologia Social e Sociologia, um mapa, um receituário, um código através do qual as pessoas de um dado grupo pensam, classificam, estudam e modificam o mundo e a si mesmas. É justamente porque compartilham de parcelas importantes deste código (a cultura) que um conjunto de indivíduos com interesses e capacidades distintas e até mesmo opostas, transformam-se num grupo e podem viver juntos sentindo-se parte de uma mesma totalidade. Podem, assim, desenvolver relações entre si porque a cultura lhes forneceu normas que  dizem respeito aos modos, mais (ou menos) apropriados de comportamento diante de certas situações. Por outro lado, a cultura não é um código que se escolhe simplesmente. É algo que está dentro e fora de cada um de nós, como as regras de um jogo de futebol, que permitem o entendimento do jogo e, também, a ação de cada jogador, juiz, bandeirinha e torcida. Quer dizer, as regras que formam a cultura (ou a cultura como regra) é algo que permite relacionar indivíduos entre si e o próprio grupo com o ambiente onde vivem.”

 Ou se preferir descreva e analise situações do seu cotidiano capazes de evidenciar os elementos ou dimensões do conceito antropológico de cultura definido pelo autor.


Resposta 3 - Cultura  é  conjunto de regras que nos diz como o mundo pode e deve ser classificado. É o conjunto de conhecimentos, saberes,  crenças,  valores espirituais e materiais transmitidos individual ou coletivamente e característico  de uma sociedade. É a capacidade humana de atribuir significados às ações e ao mundo. Usamos a cultura para classificar as pessoas e, às vezes, grupos sociais, etnia, ou mesmo sociedades inteiras. Do mesmo modo é comum ouvir-se referências à humanidade, cujos valores seguem tradições diferentes e desconhecidas. Como exemplo, na minha família, a minha avó materna, descendente de português, tinha o costume e tradição de rezar para Santo Antonio todo ano. Ela realizava uma trezena que começava desde o primeiro dia do mês de junho e nos dias 11,12 e 13 ela comemorava com festas e ainda armava fogueira no terreiro na frente da casa. Lembro-me bem do altar que ela armava num cantinho da sala. Enfeitava-o com anjos, velas e flores e no centro, na parte alta do altar ela colocava a imagem de Santo Antonio. As orações  eram cantadas  durante treze dias, daí o nome trezena. Minha avó dedicava os três últimos dias, respectivamente, para as crianças, para os casados e para os solteiros, em especial, as moças. Logo depois das rezas cantadas, ela distribuía bolos, doces, balas, bombons, canjica, mingaus, enfim, toda a iguaria junina. Costumes e tradições de pessoas que viveram antes de mim. Que adquiriram de seus antecedentes e num processo acumulativo passaram de geração em geração. Pois a cultura é um processo acumulativo. O homem recebe conhecimentos e experiências acumulados ao longo das gerações que o antecederam e, se estas informações forem adequadas e criativamente manipuladas, permitirão inovações e invenções. Assim, estas não são o resultado da ação isolada de uma única pessoa, mas o esforço de toda uma comunidade.Durante um bom tempo em minha vida, presenciei e participei desse costume tradicional de minha avó e de outras famílias daquela época. Atualmente ainda se sabe de algumas pessoas que mantêm essa tradição, quando não rezam, mantêm armado o altar durante todo o mês junino. Através da cultura o homem vê o mundo - pessoas de culturas diferentes, com visões distintas das coisas.


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                                                  AVALIAÇÃO DA 2ª UNIDADE


Essa segunda avaliação trata-se de um seminário em grupo onde foram apresentados assuntos como:



. Definição de etnocentrismo; 
. Tendência de Negação; 
. Visão antropológica de relativização; 
. Evolucionismo; 
. Cultura e comportamentos etnocêntricos.

                                        
 O QUE É O ETNOCENTRISMO?



Etnocentrismo  é um conceito antropológico, primeiro o qual a visão ou avaliação que um indivíduo ou grupo de pessoas faz de um grupo social diferente do seu é apenas baseada nos valores, referências e padrões adotados pelo grupo social ao qual o próprio indivíduo ou grupo fazem parte.

 
O fato de que o ser humano vê o mundo através de sua cultura tem como consequência a propensão em considerar o seu modo de vida como o mais correto e o mais natural. Tal tendência, denominada etnocentrismo, é responsável em seus casos extremos pela ocorrência de numerosos conflitos sociais.


Não existem grupos superiores ou inferiores, mas grupos diferentes. Um grupo pode ter menor desenvolvimento tecnológico, se comparado a outro mas, possivelmente, é mais adaptado a determinado ambiente, além de não possuir diversos problemas que esse grupo "superior" possui.

Tendência de Negação

A tendência do ser humano nas sociedades é de repudiar ou negar tudo que lhe é diferente ou não está de acordo com suas tendências, costumes e hábitos. Na civilização grega, o bárbaro, era o que "transgredia" toda a lei e costumes da época; este termo é, portanto, etimologicamente semelhante ao selvagem na sociedade ocidental.

O costume de discriminar os que são diferentes, porque pertencem a outro grupo, pode ser encontrado dentro de uma sociedade. Agressões verbais, e até físicas, praticadas contra os estranhos que se arriscam em determinados bairros periféricos de nossas grandes cidades é um dos exemplo.


Incluem-se aqui as pessoas que observam as outras culturas em função da sua própria cultura, tomando-a como padrão para valorizar e hierarquizar as restantes.

O que é o ETNOCENTRISMO?
“Etnocentrismo é uma visão de mundo onde o nosso próprio grupo é tomado como centro de tudo e todos os outros são pensados e sentidos através dos nossos valores, nossos modelos, nossas definições do que é a existência” — assim define-se o etnocentrismo nas primeiras palavras do seu livro  (ROCHA,1986,p. 5).

Os seres humanos possuem um instinto nato que os habilita a identificar tudo quanto seja a eles estranho, ou diferente. Costumamos separar as coisas quase que geralmente em dois grupos distintos e bem contornados: o grupo do “eu” ou do “nós” e o grupo do “outro”. Essa separação ocorre, de acordo com o livro, devido a um “fenômeno onde se misturam tanto elementos intelectuais e racionais quanto elementos emocionais e afetivos”. (p. 5). 

E ainda afirma o autor, que os elementos intelectuais incluem uma dificuldade de se pensar a diferença, já os elementos emocionais se tratam de sentimentos como estranheza, medo, hostilidade etc.

Visão Antropológica da Relativização
 

No plano histórico, o surgimento da visão antropológica do relativismo ou da relativização, no livro do autor Everardo Rocha, traça-se uma linha contextual, narrando os limiares das visões antropológicas que antecederam a visão de relativização. (pp. 26, 27) Inicia-se com o surgimento das teorias evolucionistas tal como uma tentativa de explicação racional para as diferenças entre as culturas. 


O evolucionismo é uma visão de mundo etnocêntrica por visualizar as demais culturas meramente como estágios de evolução correspondentes a estágios anteriores ao nosso. No entanto, as teorias evolucionistas são mais avançadas do que as visões etnocêntricas anteriores, segundo o livro, por tratar as demais culturas como “humanas”, embora “atrasadas” ou “menos evoluídas”. (p. 37)



Os principais contribuintes dessa corrente foram James Frazer, Edward Tylor e Lewis Morgan.



O Evolucionismo



O evolucionismo acabou por contribuir para a relativização futura por tratar o diferente como humano, o que se trata de um paradoxo. E isso se deu, na realidade, pela dificuldade teórica dos evolucionistas em determinar um referencial seguro para se medir a “evolução” cultural. Além disso, o trabalho de campo ou pesquisa de campo deu ímpeto a novas análises antropológicas, visto que os cientistas que empregavam tal método podiam agora conviver diretamente com as culturas estudadas em questão. 


O antropólogo Bronislaw Malinowski foi um dos principais fundadores dessa forma de análise. Mas, antes dele, surgiram algumas escolas ou “doutrinas” antropológicas “intermediárias”, entre elas: os estudos realizados por Franz Boas (pp. 40-45), a escola personalidade e cultura (p. 55), o reducionismo (p. 56), os estudos de Julien Steward (p. 59), entre outros.



  

Cultura e Comportamentos Etnocêntricos



A cultura é o meio de adaptação do homem aos diferentes ambientes. Ao invés de adaptar o seu equipamento biológico, como os animais, o homem  utiliza equipamentos extra orgânicos. Por exemplo, a baleia perdeu os membros e os pelos e adquiriu nadadeiras para se adaptar ao ambiente marítimo. Enquanto a baleia teve que transformar-se ela mesma num barco, o homem utiliza um equipamento exterior ao corpo para navegar.


A cultura é um processo acumulativo. O homem recebe conhecimentos e experiências acumulados ao longo das gerações que o antecederam e, se estas informações forem adequada e criativamente manipuladas, permitirão inovações e invenções. Assim, estas não são o resultado da ação isolada de um gênio, mas o esforço de toda uma comunidade.


A cultura é uma lente através da qual o homem vê o mundo - pessoas de culturas diferentes usam lentes diferentes e, portanto, têm visões distintas das coisas.


Comportamentos etnocêntricos resultam em apreciações negativas dos padrões culturais de povos diferentes, práticas de outros sistemas culturais são vistas como absurdas.

O etnocentrismo é um comportamento universal. É comum a crença de que a própria sociedade é o centro da humanidade.

A reação oposta ao etnocentrismo é a apatia. Em lugar da superestima dos valores de sua própria sociedade, num momento de crise os indivíduos abandonam a crença naquela cultura e perdem a motivação que os mantém unidos.


Etnocentrismo é o julgamento feito sobre o “outro”  sem o conhecimento de seus modos de vida, costumes, religião, tradições, etc. É como um pré-conceito, uma negação da humanidade do outro, um “estranhamento”. O fato de que o homem vê o mundo através de sua cultura tem como consequência a tendência em considerar o seu modo de vida como o mais correto (isso é denominado etnocentrismo), menosprezando o comportamento daqueles que agem fora dos padrões de sua comunidade, discriminando o comportamento desviante.



 
ROCHA, Everardo P. Guimarães. O que é etnocentrismo. 3ª ed. São Paulo, Brasiliense, 1986.






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