sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

LIBERDADE E A RUA DA MINHA INFÂNCIA : RTM DE HISTÓRIA



Falar do bairro da Liberdade faz parte da segunda avaliação da disciplina Referenciais Teórico-Metodológico do Ensino de História.

O bairro da Liberdade comporta entre suas diversas ruas, a rua da minha infância, que atualmente, mudou-se de nome. Atualmente ela se chama Walson Lopes.
O bairro da Liberdade abrange localidades como Soledade,Lapinha, Sieiro, Japão, Curuzu, Cravinas, Bairro Guarani, Alegria, Jardim São Cristóvão, São Lourenço e parte do Largo do Tanque e da Baixa do Fiscal.

Considerado o bairro mais populoso da cidade de Salvador e representativo da cultura negra, por isso, é considerado pelo Ministério da Cultura, território nacional da cultura afro-brasileira.

O povoamento da Liberdade se deu logo depois da abolição dos escravos, com a chegada dos negros libertos e ex-escravos para o local. 


ESTRADA DAS BOIADAS - ESTRADA DA LIBERDADE


Largo da Lapinha, início da Estrada da Liberdade, 
década de 30, século XX

O bairro da Liberdade tem ligação com a Independência  da  Bahia, pois as tropas  marcharam pelas Estradas  das Boiadas  para lutarem pela  expulsão definitiva dos portugueses. 
 
A antiga Estrada das Boiadas era a passagem dos bois que vinham do sertão e eram comercializados na Feira do Capuame, que depois mudou o nome para Dias D’Ávila, hoje é a cidade de Dias D’Ávila, que ali estava a feira do gado. 

Em 1823, por ali entrou o exército libertador e então, a Estrada das Boiadas deu nome à chamada Estrada da Liberdade.


ARTESÃOS DA LIBERDADE

As profissões artesanais eram frequentes, diversificadas e numerosas. Aliando-se a importância dos pescadores à dos carpinteiros, que também construíam barcos, à dos saveiristas, remadores e dos marítimos e náuticos, a profissão "negócio" era uma grande tendência: a que davam importância ao mar que envolvia a cidade e aos transportes marítimos. 

Os artesãos e os serviços artesanais eram sem dúvida, os grandes rivais dos negociantes. Os artesãos e negociantes formavam o binômio principal da profissionalização de Salvador.

Os artesãos e seus serviços eram altamente quantitativos. Encontrados frequentemente em todas as freguesias, como Brotas, Santo Antonio, Sé; distinguiam-se pelas altas percentagens de algumas ocupações. 

 


Os alfaiates, por exemplo, estavam presentes em toda parte da cidade de Salvador. Os ferreiros e os marceneiros eram profissões encontradas também em todas as freguesias, sapateiros, pedreiros, pintores  são de comparecimento integral nas listagens das freguesias. Os calafates, profissão ligada aos saveiros e outras embarcações, são encontrados em diversos pontos da cidade. (NASCIMENTO,1986,p.142-143).



O bairro da Liberdade está situado no alto do planalto que divide Salvador em Cidade Alta e Cidade Baixa, religadas por meio do Plano Inclinado Liberdade/Calçada.

O Plano Inclinado Liberdade-Calçada liga a Praça Nelson Mandela (Liberdade) à Rua Barão de Vila da Barra (Calçada) . Este plano inclinado data da década de 80 do século passado e teve como função ligar o bairro da Liberdade, que tem a maior densidade demográfica de Salvador, à Calçada, onde existe uma estação de trem.

                                  RUA LIMA E SILVA

Na  Rua  Lima  e  Silva,antiga Linha 8 e a principal via  do  bairro encontramos uma vida comercial e financeira independente, uma rede de bancos, diversas lojas e uma feira livre, chamada  Feira do Japão.


A identidade negra é bastante presente no local que  abriga grupos afros, como o Vulcão da Liberdade, o Muzenza, o Ilê Ayê e outros. O bairro  da Liberdade é considerado o de maior contigência de pessoas da raça negra no Brasil.


Pertencente ao bairro da Liberdade, um dos mais populosos de Salvador, o Curuzu é cantado em "O mais Belo dos Belos",música de Daniela Mercury, que fala do bloco afro Ilê Ayê, com sede na ladeira do Curuzu. Atualmente, a Liberdade exerce um forte apelo turístico por conta das raízes históricas da cultura negra.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
REFERÊNCIAS

ARAÚJO, Ubiratan Castro de. (Org.)Salvador era assim/memória da cidade de Salvador: Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, 1999. 
NASCIMENTO, Anna Amélia Vieira.Dez freguesias da cidade do Salvador:
Aspectos sociais, e urbanos do século XIX.Salvador, FCEBa./EGBa., 1986. 
SILVA, Cecília Luz da. A cidade do Salvador nos seus 454 anos. Salvador: EdUNEB,2005.

--------------------------------------------------------------------------------------

Nenhum comentário:

Postar um comentário