terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

R T M DO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA




REFERENCIAIS TEÓRICO-METODOLÓGICOS DO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA, 60h

Ementa: Laboratório de texto/ com texto na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Análise e criação de texto. Oficina da palavra: práticas de estruturas gramaticais – uma integração da Língua Escrita com a Oral, através de diferentes propostas metodológicas e suas influências no processo de aprendizagem na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Processo de planejamento e avaliação do ensino de Língua Portuguesa: concepção e representação de sequências didáticas.


RTM do Ensino de Língua Portuguesa - disciplina ministrada nas duas primeiras aula da tarde de quarta-feira, pela professora Valquíria C. M. Borba.



Estudamos nessa disciplina: Concepções de língua e reflexos na prática do professor; A língua e a identidade cultural de um povo; Assumindo a dimensão interacional da linguagem(textos de Irandé Antunes); Gêneros textuais (Marcuschi); Novas perspectivas para o ensino  da Língua Portuguesa: implicações para a alfabetização (Magda Soares); Oralidade e Letramento (Marcuschi); Ampliando a noção de leitura (Maria Helena  Martins); Livro didático da Língua Portuguesa: o retorno do Recalcado (Rangel); PCN da Língua Portuguesa (Izabel Sonet); Antigas Formas de alfabetizar (Artur Gomes de Morais); Consciência Fonológica e  Alfabetização (Artur G. de Morais);Ensino de Língua Portuguesa e contextos teórico-metodológicos (Bezerra); Ensino de Língua e  Gramática: alterar conteúdos ou alterar a imagem do professor (Possenti e Ilari); Oralidade e ensino de língua: uma questão pouco falada (Marcuschi); Aprendizado da Escrita (Eglê Franchi); Gêneros e progressão em expressão oral e escrita: elementos para reflexões sobre uma experiência suíça (Dolz e Schnewly); Algumas fontes de dificuldade na aprendizagem de regras ortográficas (Rego);



Atividades avaliativas dessa disciplina:



1ª Unidade - Construção de resenhas sobre os textos: Livro didático da Língua Portuguesa: o retorno do Recalcado (Rangel); e Gêneros e progressão em expressão oral e escrita: elementos para reflexões sobre uma experiência suíça [francófona] (Dolz e Schnewly);



2ª Unidade - Análise de uma Sequência didática de uma professora de Português
                  e uma reapresentação dessa Sequência didática de Português;
                  



3ª Unidade - Apresentação em seminário sobre: Organização de Biblioteca Escolar e das  Salas de Leitura  e o Uso do Dicionário na Sala de Aula.

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 1ª Resenha:



AVALIAÇÃO DO LIVRO DIDÁTICO DE LINGUA PORTUGUESA
“Livro Didático de Língua Portuguesa: o retorno do recalcado 
 Celeste Menezes *



RANGEL, E. Livro didático de língua portuguesa: o retorno do recalcado. (8 páginas), In: RANGEL, E DIONISIO, A.; BEZERRA. M. A. O livro didático de português: múltiplos olhares.Rio de Janeiro: Lucerna, 2005.

Livro Didático de Língua Portuguesa: o retorno do recalcado, artigo de Egon de Oliveira Rangel,(professor do Departamento de Linguística da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo e representante da área de Língua Portuguesa na comissão técnica do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) da Secretaria de Educação Básica do MEC.), inicia um texto introdutivo, destacando a interferência da Avaliação no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), a partir de 1996, despertando assim, a atenção de educadores e pesquisadores. Seu objetivo é apontar os problemas persistentes, em alguns livros didáticos de Língua Portuguesa, indicados pelo Guia do livro didático. Proporcionando discussão e análise sobre o assunto, bem como reflexões sobre a escolha e uso do livro didático de Português.
Rangel para explicar o título do seu artigo, baseia-se nas experiências emocionais, conceituando o retorno do recalcado em Psicanálise, como a volta com força redobrada de certas ideias, sentimentos e desejos que se excluiria da consciência e por conseguinte, do enfrentamento direto. Sendo assim, o não enfrentamento das condições precárias das escolas públicas, das péssimas condições de trabalho do professor e da sua insuficiente formação inicial e continuada, compensa-se com a distribuição em massa de livros didáticos, esquecendo a baixa qualidade, ao mesmo tempo  em que o faz principal responsável pelos fracassos em sala de aula.
O autor destaca que a partir da Avaliação, o PNLD estabeleceu perspectivas teóricas e metodológicas bem definidas para o livro didático e que os princípios e critérios em sucessivas reformulações, adotados na Avaliação dos livros didáticos, vêm da orientação pragmática, caracterizando como uma brusca mudança nas concepções de língua, ensino e aprendizagem. Mudança essa, que pode fazer  surgir novas  hipóteses, novas

novas tentativas de práticas de ensino, considerando o desenvolvimento de habilidades e
competências a partir dos conhecimentos prévios da bagagem dos alunos, sugerindo a perspectiva sócio-cognitiva interacionista.  Nesse sentido, o autor esclarece que o ensino de Português não pode mais desconhecer durante o processo de ensino-aprendizagem a bagagem cognitiva do aluno, tanto oral como escrita, assim como  mudança na concepção de língua e linguagem oferecidos pelas novas correntes teóricas, no que diz respeito a noção de sistema, código ou gramática, para entender a língua como interação e discurso.
Diante destas colocações,  o ensino de língua materna deve ser feito de forma específica, de interação e não apenas  de determinadas informações sobre a língua, desenvolvendo textos escritos e orais. Sendo que, os avanços da Linguística Textual muito contribuíram com conceitos de textualidade, coesão e coerência, constituindo o texto como unidade de sentido, como um todo articulado. Contudo, os conhecimentos a serem dominados pelo aluno não são mais as regras da gramática, mas a descrição, especialmente os meios de funcionamentos próprios do texto, priorizando a prática e completando com conceitos na medida em que forem necessários.
Diante destas necessidades, o livro didático de Português,  para passar na Avaliação deve atender os propostos definidos  em documentos como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e os Referenciais Curriculares Nacionais (RCNs). A partir de análise, cada livro didático inscrito no Programa é pontuado na  medida em que consegue oferecer ao educador e  ao aluno, quesitos imprescindíveis para ser um bom livro didático.

Finalizando, Rangel  afirma que o livro didático ideal ainda está muito além dos que atualmente estão disponíveis no mercado , mas  com a Avaliação do LDP que  é um processo que está em andamento, autores e editores vêm se esforçando com critérios próprios, para alcançá-lo. É preciso enfrentar  os novos objetos didáticos do ensino de língua materna: discurso, os padrões de letramento, a língua oral,etc., para melhorar os livros didáticos, na medida em que se propõe valores e critérios de avaliação,  sempre em sintonia com a “virada pragmática”. Avaliação do PNLD  não pode se acomodar, ao contrário, deve permanecer em constante evolução acompanhando os progressos dos estudos teóricos.

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*Graduanda em Licenciatura Plena em Pedagogia: celeste.menezes@gmail.com
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2ª Resenha:



ELABORAÇÃO DE UM CURRÍCULO PARA O ENSINO DA EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA EM ESCOLA NA SUÍÇA FRANCÓFONA



Celeste Maria Fonseca Menezes*


DOLZ, Joaquim. e SCHNEUWLY, Bernard. Gêneros e Progressão em Expressão Oral e Escrita- Elementos para reflexões sobre uma experiência suíça (francófona). In “Gêneros Orais e escritos na escola”. ROJO, Roxane e  CORDEIRO,Glaís Sales (trad./org.). Campinas, São Paulo:Mercado de Letras,2004. Bernard. Schneuwly é Professor doutor da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Genebra (Suíça) e Joaquim Dolz é professor e pesquisador em Didática do Francês/Língua Materna, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (Fapse) da Universidade de Genebra (Unige), Suíça, e membro do Grupo Grafe – Grupo  Romando de Análise do Francês Ensinato. Este artigo escrito por Joaquim Dolz e Bernard Schneuwly, a partir de uma demanda expressa tanto pelos professores como pela instituição escolar,  que leva a elaborar um modelo de ensino modular, aplicável em todas as séries e a uma investigação geral para organizar a progressão através dos diferentes ciclos do ensino fundamental.

Neste artigo os autores relatam a experiência de elaboração de um currículo para o ensino da expressão oral e escrita em escola na Suíça francófona.  Baseados em Coll (1992), os autores defendem “um currículo para o ensino da expressão que forneça aos professores, para cada um dos níveis de ensino, informações concretas sobre os objetivos visados pelo ensino, sobre as práticas de linguagem que devem ser abordadas, sobre os saberes e habilidades implicados em sua apropriação.” Ao mesmo tempo, negam a existência de um currículo como esse, que apresente uma divisão de conteúdos e a previsão das principais aprendizagens (p.43). Na concepção dos autores, na elaboração de uma proposta curricular para a linguagem oral e escrita deve-se levar em conta, também, a progressão, ou seja, a ordem temporal que deve seguir o processo de aprendizagem. Segundo os autores, a progressão é a organização temporal do ensino para que se chegue a uma aprendizagem ótima. Há uma tripla ordem temporal: a que se define em função dos objetivos propostos para cada série escolar; a que se destina às finalidades de cada ciclo e a que se refere a cada unidade de ensino. Além disso, ficando à parte, a questão do currículo, os conteúdos são definidos em função de capacidades do aprendiz e experiência de que ele precisa. O problema da progressão coloca-se igualmente no nível das sequências concretas realizadas em sala de aula, ou seja, no momento em que o professor decide sobre a sequência de atividades e operações com que ele pretende fazer alcançarem os alunos.

Segundo os autores, na elaboração do currículo progressivo é fundamental que se considere a relação existente entre a aprendizagem e o desenvolvimento. Na perspectiva vigotskiana de que a aprendizagem alavanca o processo de desenvolvimento das funções superiores dos sujeitos, inclui, aqui, a linguagem. Os autores se apoiam em Vygotsky, para explicarem que “a aprendizagem humana pressupõe uma natureza social específica e um processo por meio do qual as crianças acedem à vida intelectual daqueles que as cercam”. Segundo Scheneuly (1995), o desenvolvimento na idade escolar só se torna possível graças ao ensino e à aprendizagem intencionais, ou seja, a aprendizagem incidental ocorre acessoriamente no curso de realização de uma ação, assim como a aprendizagem intencional em que o sujeito está implicado numa situação que visa um efeito, são construções sociais.

Para os autores, no “interacionismo social”, a consciência de si e a construção  das funções superiores são estreitamente dependentes da história de relações do indivíduo com sua sociedade e da utilização da linguagem. Esta, é um lugar de interação e de interlocução e o homem constitui-se como ser humano através das relações que estabelece por meio dela com os outros. No “interacionismo intersubjetivo”, prioriza a dinâmica transacional das trocas na aprendizagem. É uma teoria sociocognitiva da aprendizagem, que centra sua atenção nos contextos de interação, de influência mútua de trocas verbais e de atividades de construção conjunta em situações “naturais”, relegando a um plano acessório as intervenções ditas “artificiais” e intencionais, ditadas pelo meio social. Já o “interacionismo instrumental” é a progressão curricular derivada de uma tal teoria é considerada como uma elaboração “artificial”, uma construção de instrumentos, destinada a melhor controlar os diversos componentes que integram os processos de ensino-aprendizagem. Segundo os autores, as interações são reguladas pelos professores, que são responsáveis por ajudar o aluno a assimilar as novidades.
Quanto às consequências do interacionismo instrumental para progressão, Dolz e Scheneuly relacionam as seguintes: Visão de conjunto (abordando os objetos em toda a sua complexidade, mas também os decompõe para o ensino); Adaptação para os grupos heterogêneos (define expectativas mínimas da sociedade para todos);Antecipação de obstáculos (fornece aos professores as grandes orientações de trabalho como referenciais e hipóteses); Situações de colaboração entre alunos (facilita a construção conjunta de novas capacidades); Instrumentos e estratégias  para transformar capacida-des iniciais (permite aos alunos passar a uma nova etapa no seu processo de socialização) [p.48-49].

Segundo os autores, sua proposta de trabalho tem fundamento no ensino sistemático da comunicação oral e escrita. Sua articulação por meio de uma estratégia válida é chamada sequência didática. Seu objetivo é apropriar-se de uma prática de linguagem (gênero textual). Os fatores relacionados à apropriação são: “especificidades de gênero”, “capacidades de linguagem dos aprendizes” e “estratégias de ensino” propostas pela sequência didática (p.51). Sobre gênero, segundo Schneuwly, (Mega) instrumento para agir em situações de linguagem. Na perspectiva bakhtiniana, três dimensões definem gênero: os conteúdos que são dizíveis por meio dele; a estrutura (comunicativa) particular dos textos pertencentes ao gênero; configurações específicas (posição enunciativa, sequências textuais e tipos discursivos).

Quanto à noção de capacidades de linguagem (Dolz et.al.,1993) definem como aptidões requeridas do aprendiz para a produção de um gênero numa situação de interação determinada. Capacidade de ação (adaptar-se às características do contexto e do referente);capacidade discursiva (mobilizar modelos discursivos); Capacidade linguístico-discursiva (dominar as operações psicolinguísticas e as unidades linguísticas ou textualização). Quanto às estratégias de ensino, segundo os autores, são instrumentos que podem guiar as intervenções dos professores. Os autores sugerem uma progressão curricular sob o enfoque de agrupamentos de gêneros e capacidades de linguagem. Cada agrupamento trabalhado em todos os níveis da escolaridade e para o desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem das expressões orais e escritas, na escola, o critério a privilegiar para tomar decisões é o da validade didática: as possibilidades efetivas de gestão do ensino proposto, a coerência dos conteúdos ensinados, assim como os ganhos de aprendizagem.
 



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*Graduanda em Licenciatura em Pedagogia / E-mail:celeste.menezes@gmail.com




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