terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS - LIBRAS



LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS -LIBRAS, 30h

Ementa: Discussão teórica sobre a gramática da LIBRAS. Estimulação, promoção, contato e ações básicas no ensino de Libras. Processo de inclusão da criança através da Libras. Formação do educador para a inclusão na Educação Básica: desafios e
atuação. Discussão sobre a língua brasileira de sinais e o seu uso.


LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS - LIBRAS - disciplina ministrada nas duas primeiras aulas da manhã de Quarta-feira, pela professora Sheila Batista Maia Santos Reis da Costa.



Estudamos nessa disciplina: Breve histórico da Língua Brasileira de Sinais; Por uma educação inclusiva reflexiva; Aula prática da Língua de Sinais; Currículo de Língua de Sinais na Educação de Surdos.


Atividades avaliativas dessa disciplina:

1ª Unidade - Seminário sobre: Currículo de Língua de Sinais na Educação  de Surdos.

2ª Unidade - Resenha em grupo sobre: Sugestões de Atividades de Língua Portuguesa
                       para Surdos.
                 
3ª Unidade - Construção de uma narrativa sobre: o percurso da disciplina Libras e seus
                         Benefícios para o meu futuro
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CURRÍCULO  DE  LÍNGUA DE SINAIS NA  EDUCAÇÃO DE SURDOS
Carolina   Hessel   Silveira   (Relato de Experiência)




Para falarmos de currículo de  Língua de Sinais, recorremos à dissertação de mestrado de Carolina Hessel Silveira.

Carolina é uma pessoa surda, usuária da Língua de Sinais (LS), participante da comunidade surda, estudou na escola de surdos durante seis anos,  mas não existia o ensino de Língua de Sinais no currículo, naquela época (início da década de noventa). Veio surgir um ou dois anos depois que ela se formou no Ensino Médio. Participava de seminários sobre surdos, conversava com os surdos que eram professores ou instrutores da escola de surdos, sobre cultura de surdos  e começou a se interessar vendo a valorização de sua língua.


Antes nem tinha percebido que era língua mesmo, não a valorizava, pois ignorava.
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Por causa da ausência  do ensino de Língua de Sinais Carolina teve vários problemas:
não tinha informações sobre estudos surdos, nem sabia o que era identidade surda, nem que existiam várias identidades, nem cultura surda, nem movimento dos surdos.
Carolina, quando estudou na escola de surdos, pensava:
“surdos não vão ser iguais aos ouvintes; surdos nem podem estudar na faculdade; nem serão professores da escola de surdos; a comunicação oral era melhor para se comunicar com os ouvintes, se desenvolver mais e ter mais informações; ser surda é um fracasso, etc.”
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Seus pensamentos eram negativos. Segundo Carolina, o motivo é que a educação da escola era Comunicação Total. Tudo, os ouvintes decidiam. Os professores ouvintes valorizavam os surdos se eles soubessem falar, era difícil encontrar surdos que soubessem informações. Também, não se mostrava que a Língua de Sinais era importante, emocionante, atraente. Carolina até admirava alguns surdos que sinalizavam bem: “eram fascinantes, assim como os ouvintes que têm voz bonita, nada mais”. Carolina afirma ainda que alguns surdos eram a favor dos ouvintes e falavam que ouvintes eram melhores do que surdos.
Também professores ouvintes não mostravam a Língua de Sinais como algo natural.
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Carolina preocupada conversava com sua mãe: “Que faço no meu futuro por ser surda? A  mãe  respondia simplesmente: Falta muito tempo para chegar, vamos ver o que pode acontecer ou pode mudar. Vai dar certo! 
Uma certa vez  Carolina quis estudar numa escola de surdos em Buenos Aires - Argentina. Foi no ano de 1986, tinha oito anos, quando viajou a Buenos Aires com seus pais, de carro, para passear e conhecer.  Um dia foram a uma escola chamada Instituto Oral Modelo, mas não entendia por que tinham ido ali. Quando entrou, olhou as pessoas de lá, como os professores a olhavam e falavam para ela, como se soubessem quem ela era e que era surda. Estranhou mesmo como fui tratada bem lá pelas pessoas. Depois, foi participar numa sala de aula, onde tinha alunos surdos. Ficou fascinada com isto, pois os alunos a trataram muito bem, como se fossem do mesmo modelo surdo. Após isto, foi embora e disse para sua mãe que queria estudar ali naquela escola. Seus pais tentavam lhe explicar que não podia, pois eles trabalhavam aqui, no Brasil. Só que esta escola tinha método oral. Mas ela não pensava nisto, o que mais importava para ela, eram  os amigos surdos como ela.  
Naquela época, Carolina estudava em escola de ouvintes.  Algo aconteceu com sua mãe naquela escola em Buenos Aires, sobre sua comunicação com a filha. A mãe é uma pessoa que fala rapidamente e, no caso de Carolina, não poderia ser comunicação rápida. Por isso ela gesticulava bastante como se fosse bimodal, como método privado Hessel Silveira, usando de fala e gestos ou sinais domésticos. Então as professoras daquela escola pediram para ela procurar não gesticular muito, até aconselharam que, se Carolina fosse sentar, devia colocar as mãos trancadas debaixo das pernas.  Sua mãe jamais fez isto, continuou do mesmo jeito. Carolina achou espantoso que professoras mandassem, assim, colocar mãos debaixo das pernas, de uma forma antiquada como se fosse continuação de Congresso de Milão. Este congresso aconteceu em 1880, quando os ouvintes decidiram que o surdo teria educação melhor usando a fala e fizeram com que fosse abandonado o ensino das línguas de sinais.  O congresso proibiu a língua de sinais, achou-se por melhor adotar  a oralização, julgando  ser a melhor valia para a educação e o aprendizado dos surdos.
No dia do seu aniversário de dez anos, Carolina convidou um surdo, que era seu colega na aula de fonoaudiologia; tinha bastantes convidados ouvintes, só que ela ficou muitas  horas colado neste convidado surdo. Não era só porque era melhor amigo ou legal, pois também tinha outros amigos ouvintes legais. Provavelmente era por causa da referência de identidade surdo-surdo. Também a comunicação deles era bem simples, fácil, sem complicações, sem nenhum esforço para entender, sem suar, sem erguer os olhos, sem franzir a testa. Era tudo serenidade pura!  Assim, ela gostava de se comunicar em Língua de Sinais, pois adquiria sentido melhor, a comunicação era mais clara e podia se reunir com o grupo de surdos, diferentemente de se  reunir com o grupo de ouvintes. 

Com o tempo, foi descobrindo a alteridade surda, descobrindo mais os estudos surdos, conhecendo mais ainda, só que achava que era um pouco tarde. Assim, para ela é muito importante ter Língua de Sinais no currículo, mas não é só isto. Precisa também uma grande reforma da educação de surdos, aperfeiçoar, desenvolver mais, e até os próprios professores surdos terem poder de decisão e terem mais conhecimentos. Carolina acha difícil, pois alguns ouvintes estão acostumados ao passado, com a tradição Oralista e Comunicação Total. Também se preocupam, como sempre, que surdos precisam se integrar à sociedade ouvintista, achando que a Língua de Sinais pode prejudicar a aquisição da fala, o desenvolvimento -  coisas antigas que os ouvintes pensam.  Para Carolina, estes ouvintes estão cicatrizados, marcados pelo passado.
Quando Carolina fala em currículo de Língua de Sinais, pensa que, se não tivesse o ensino de Língua de Sinais, alunos surdos poderiam pensar que ser surdo é um fracasso, poderiam não reconhecer a Língua de Sinais como sua própria língua, nem saber que podem fazer poesia surda, várias coisas de Língua de Sinais. Também poderiam não conhecer o que é cultura de surdos, nem ter própria identidade surda como alma surda ou poderiam apenas conhecer alguns surdos mas poucos, e, assim, serem vítima de domínio de ouvintes.
Laborit (s/d, p.177-178) reclama: Formamos uma minoria de surdos profundos de nascença. Com uma cultura particular, uma língua particular. Os médicos, os pesquisadores, todos aqueles que querem, a qualquer preço, fazer dos ouvintes como os demais. Fazer dos surdos ouvintes é aniquilar a sua identidade.   
Se tiver o ensino de Língua de Sinais, se poderá trabalhar o que é cultura surda, o que são movimentos surdos, o poder surdo, a comunidade surda, a literatura surda, a poesia surda, etc. Assim surdos podem reconhecer o que é surdo, o que é diferença, o que é a própria cultura, o que é identidade, conhecer histórias sobre surdos, ficar fascinados, valorizar a sua própria língua surda e cultura surda, reconhecer que existe diferença entre mundo surdo e ouvinte e, assim, enriquecer empoderamento surdo. Por exemplo: surdos têm várias identidades. Ela já encontrava alguns surdos com identidade.
Em 2004.2, Carolina entrou no mestrado na Universidade Federal de Santa Catarina, na área da Educação e Processos Inclusivos.
Sua visão é de que a Universidade está começando mudanças na Educação de Surdos;
por exemplo, sua orientadora sabe usar Língua de Sinais para comunicação claramente; teve intérpretes em todas as disciplinas que fez. A prova que fez para entrar no mestrado foi com o uso de Língua de Sinais, nada de prova escrita em Língua Portuguesa. Ouvintes também tiveram que fazer a prova de Língua de Sinais; numa disciplina - Seminário de Dissertação - todos os alunos surdos e ouvintes usavam só a  Língua de Sinais e eram dois semestres. Até em uma disciplina - Educação Intercultural - o professor reservava meia hora para se ensinar Língua de Sinais Brasileira (LSB) no começo da aula para alunos ouvintes se comunicarem e conhecerem como é a cultura da língua própria dos surdos.
LSB - a língua dos surdos brasileiros usada pelas comunidades, também denominada LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), que foi reconhecida pela lei federal, n” 10.436/2002. Sá (2006, p. 107)
Carolina diz: utilizo língua de sinais brasileira porque entendo que o fato de tratar-se de uma língua de sinais é muito mais marcante, o fato de ter sido  criada pela comunidade brasileira de surdos. Línguas de sinais existem em várias partes do mundo, tendo sido criadas pelas comunidades surdas em histórias, tempos e espaços diferentes; logo, o essencial é que são línguas de sinais e  não sua localização geográfica (língua brasileira).

Na UFSC tem uma sala para estudantes de mestrado e doutorado pesquisar sobre surdos, chamado Grupo de Estudos Surdos (GES), tem bolsistas, intérpretes, vários livros com foco em surdos, Estudos Culturais, etc. Já aconteceram vários cursos com temas diversos como surdos, estudos culturais, pedagogia diferença, etc..
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Diante de tanta inquietação de Carolina, sobre o ensino de Língua de Sinais no currículo das escolas de surdos,  ela decidiu escrever sua dissertação cujo tema é:
Currículo da disciplina de Língua de Sinais  nos anos iniciais da educação escolar de surdos, em escolas do Rio Grande do Sul que atendem surdos.”
Segundo Veiga-Neto diz que:
falar sobre currículo é falar, ao mesmo tempo, sobre os conteúdos, os métodos de ensino e a avaliação.  Então currículo não compreende apenas os conteúdos. São também as palavras, o jeito com que os alunos são tratados pelos professores, às vezes de forma diferente,  como a escola se importa com os diferentes, etc. (1996, p. 24)
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Nesse estudo, Carolina optou por usar a teoria pós-crítica de currículo, porque ela vê a questão da diferença, da identidade; por usar a palavra currículo para falar dos conteúdos e das formas de ensinar de uma disciplina curricular: Língua de Sinais (LS).
Segundo Carolina, no currículo existem muitos poderes, sobre os conteúdos que vão ser ensinados, sobre a língua que é usada, sobre quantas horas por semana cada disciplina ocupa no ensino de um ano escolar, sobre a importância que os professores de uma disciplina têm ou não têm, perto de outros professores, etc. 
Estudar currículo de Língua de Sinais, inclui os Estudos Surdos: Cultura Surda, Identidade, Povo, Empoderamento, pois entende-se que esse currículo empodera os alunos surdos. 
A palavra empoderamento é uma tradução de empowerment.
Sobre tal palavra, Silva (2000, p.49) afirma: Na literatura educacional crítica anglo-saxônica, refere-se ao processo pelo qual, através da educação, grupos sociais subordinados adquirem meios de fortalecer seu poder para lutar contra estruturas de opressão e dominação. Uma tradução possível é fortalecimento do poder .
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Seu objetivo principal, é fazer uma análise crítica dos currículos existentes nessas escolas e buscar as representações desses currículos pelos próprios professores surdos que trabalham com essa disciplina, englobando suas dificuldades, suas expectativas, a relação que veem com a questão das identidades surdas e da cultura surda.
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As bases teóricas foram buscadas nos Estudos Culturais em educação, nos Estudos Surdos, assim como nas teorias do currículo.
A justificativa para sua pesquisa vem da importância do estudo da Língua de Sinais no ensino de surdos, uma vez que ele está envolvido na construção de identidades surdas e no seu empoderamento.
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A metodologia utilizada consistiu na análise de cinco currículos escritos, coletados em cinco escolas que têm Língua de Sinais em sua grade curricular e em entrevistas com dez professores dessa disciplina nas cinco escolas.
 



ANÁLISE DE CURRÍCULO  DE  LÍNGUA DE SINAIS NA  EDUCAÇÃO DE SURDOS



Para iniciar a pesquisa, Carolina fez um primeiro levantamento de currículos de Língua de Sinais existentes nas escolas de surdos no Rio Grande do Sul, através de informações que tinha sobre essas escolas. 
Para encontrar esses currículos, contatou diretamente com os professores surdos das escolas que  já conhecia. Ela fez duas perguntas simples: se existe ensino de Língua de Sinais na escola e se tinha currículo escrito na escola.  
A análise dos currículos  da disciplina feita por Carolina, mostrou certa diversidade:
em alguns há repetição de conteúdos de uma série para outra, em outros já se nota uma preocupação direta com  questões de cultura surda e identidade, mas alguns deles abrangem conteúdos que não dizem respeito nem à Língua de Sinais, nem à cultura surda, mas ao disciplinamento dos surdos em geral.
Nas entrevistas, os professores se mostraram conscientes da importância do estudo da Língua de Sinais para a constituição da identidade surda, apesar de se sentirem, às vezes, sozinhos na elaboração do currículo, julgando que ele precisa ser modificado, ampliado, com mais informações e conectado com outras políticas surdas -  maior presença de professores surdos nas escolas para surdos, fortalecimento das associações de surdos, etc.
De maneira geral, os professores surdos enfatizam a importância do ensino de Língua de Sinais no empoderamento dos alunos surdos e a necessidade  de um maior aprofundamento teórico.
O problema do currículo para os surdos não é só ter língua de sinais ou estudos surdos. É também a importância que os professores surdos têm dentro da escola. Na pesquisa, Carolina viu como essa importância não era muito grande. E também os professores ouvintes não sabem muito a estrutura da língua de sinais. Isso tudo faz parte do currículo de uma escola, mostra para os alunos o que é importante e o que não é importante.
No Rio Grande do Sul, Carolina contatou professores de dezessete escolas de surdos (região metropolitana de Porto Alegre e as maiores cidades do Estado). Dessas escolas:
-> quatorze escolas têm ensino de Línguas de Sinais;
-> uma escola de surdos que tem ensino de LS e não tinha o currículo; ela fechou neste ano em    
     Porto Alegre/RS;
->  treze escolas tem  currículo escrito em um documento;
->  quinze escolas são públicas;
->  duas escolas são privadas.



Carolina observou os currículos escritos das escolas gaúchas e eles mostraram poucos conteúdos para o ensino;
Ela chamou os currículos escritos das escolas como currículo A, currículo B, currículo C, currículo D e currículo E.
Os currículos A e B são listas de conteúdos divididos por série, sem mais explicações. Eles são parecidos entre si e diferentes do currículo C, D e E.
Carolina coletou aqui cinco currículos escritos de escolas do Rio Grande do Sul.
O primeiro currículo escrito foi da Escola particular de Ensino Fundamental Frei Pacífico, de Porto Alegre.
Outro currículo escrito  foi da escola, Centro Municipal de Educação dos Trabalhadores Paulo Freire (CMET), de Porto Alegre, e ensina Alfabetização e Pós-Alfabetização, como se fossem séries iniciais. 
O CMET trabalha só com jovens de mais de 14 anos e adultos, trabalhadores e filhos de trabalhadores. Também poucas escolas de surdos têm o currículo de Língua de Sinais nas séries iniciais, por isso Carolina escolheu esta escola. Próximo currículo escrito foi retirado da Escola Estadual
Carolina observou também três currículos do exterior (Estados Unidos e Portugal) pela Internet e por uma entrevista relatada por outra pessoa, mas nem sempre esses currículos mostram divisão por séries; o currículo só é mostrado de maneira geral. A análise desses currículos teve o objetivo apenas de comparar, verificando conteúdos, novas perspectivas.   
Sobre o currículo A, a professora entrevistada disse que ele foi feito no ano de 1999, ficou intacto até hoje, e é modificado só quando as professoras anotam em seus papéis como caderno ou agenda.  Também têm muitos conteúdos repetidos todos os anos, sem explicação da diferença.

A e séries mostram conteúdos totalmente iguais: Trabalhar em história, Hora do Conto, Vocabulário de sinais, Gramática de Libras, Escrita de Língua de Sinais, Configuração das mãos, Descrição das figuras, Jogos e Valores.

Trabalhar em história é semelhante à Hora do Conto; Configuração das mãos faz parte da Gramática de Língua de Sinais; para a Escrita de Língua de Sinais, a maioria dos professores não tem formação neste conteúdo.  
A e 4ª séries mostraram também conteúdos repetidos, como: Escrita de Língua de Sinais: configuração da mão, palma da mão, dorso da mão, dez grupos de mão e exercícios de leitura e escrita de configurações de mão básica, História do surdo, Arquitetura da Escola, Cultura Surda, Sinais Visuais, Piada Surda, LIBRAS x Língua Portuguesa, Jogos e Valores.

Mas têm alguns conteúdos como Cultura Surda, História do surdo e Piada surda que são sinais do empoderamento surdo.  O conteúdo Escrita de Língua de Sinais (ELS) está descrito de forma muito detalhada, e bem poderia ser apenas um tópico no conteúdo. Este conteúdo mostra uma perspectiva surda relativa  linguística de Língua de Sinais. O conteúdo Arquitetura da Escola não é frequentemente abordado: só duas ou três vezes por ano; Sinais Visuais é conteúdo desconhecido e até professoras entrevistadas não sabem de que se trata.
Este currículo não mostra o poder de perspectiva surda: tem  poucos conteúdos, repetitivos, reproduções, simplificados e desestimulantes...
Empoderamento-deriva da palavra “poder”. Permite ao surdo maior mobilidade e fluidez nas formações  discursivas, constituição de suas identidades frentes às imposições do ouvinte.
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------  Será que foram colonizados pelos ouvintistas ou não têm a reflexão sobre perspectiva surda ou empoderamento surdo? São professores que já eram mais antigos na escola, e na época deles na educação não tinha ensino de Língua de Sinais, de forma que eles pudessem ter uma reflexão sobre a perspectiva surda.
Agora outro currículo escrito na outra escola (currículo B), que é parecido com este currículo que acabei de explicar. Só é ampliado e modificado um pouco, e foi feito no ano de 2005.  
O currículo  B, a professora surda entrevistada descobriu no ano de 2005, em que começou a trabalhar, que existe ensino de Língua de Sinais há anos, mas nunca teve currículo escrito, talvez porque outros professores surdos não tivessem feito o currículo ou pegassem currículo velho para modificar. 
Todos os conteúdos das séries são parecidos, só vão aumentando.
 Na 1ª série tem nove conteúdos: Hora do conto, Explorar vocabulários de sinais, Trabalhar em histórias, Conversas, Jogos, Descrição das figuras, Narrativa das figuras, Configuração das mãos e Expressões faciais.
Na 2ª série têm todos estes nove, mais dois conteúdos (Arquitetura da escola e Teatro).
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Na 3ª série, têm os onze conteúdos da 2ª série, mais seis conteúdos: Sequência em Libras, Conhecimentos com sinais em lugares, História dos surdos, Piadas surdas, Cultura surda e Datas comemorativas.  
Na 4ª série, tiraram os conteúdos Hora do conto e Trabalhar em histórias e colocaram três conteúdos novos: Expressões corporais, Língua Portuguesa X Língua Brasileira de Sinais e Ditados em Libras.
A análise dos conteúdos mostra que os currículos são repetidos de uma série para a outra, dando a impressão de que não vão para frente, assim, não há uma progressão.
Na entrevista com professora surda, ela afirmou que aceitou o currículo sem questionar. Os alunos surdos, assim,  veem sempre conteúdos iguais.
O ouvintismo, nos currículos das escolas A e B, é mostrado pelo currículo que não considera o surdo ou que não foi pensado pelo surdo.

Este último currículo foi entregue por outra professora surda para a professora surda entrevistada, e  ele já foi usado em uma terceira escola.
Resumindo: este currículo foi usado por quatro escolas de surdos, que nada reformaram, nem refletiram sobre identidade surda, nada. Esta professora entregou-o para a professora entrevistada, que não refletiu nada sobre a Perspectiva Surda para poder modificar ou aprofundar mais o currículo.
Pode ser que a professora tenha sido colonizada pelo ouvintista, não tendo construído uma identidade surda.  Se não fosse colonizada, poderia modificar o currículo dentro de uma nova perspectiva.
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Agora, fazendo  uma comparação entre os currículos A e B, examinando os conteúdos de Língua de Sinais.
. No currículo A, tem Vocabulário de sinais, só na 1ª e 2ª séries;
.No currículo B tem Explorar vocabulário de sinais, nas quatro séries. 
.Também tem Gramática de Libras nas 1ª e 2ª séries no currículo A, mas na 3ª e 4ª séries não tem. 
Para apresentar os conteúdos de forma mais organizada, os conteúdos foram subdivididos em quatro grupos.  
Primeiro grupo é relativo a Língua de Sinais Brasileira, que abrange vários conteúdos; exemplo de conteúdo é
. Hora do Conto, nos currículos A e B, que consiste em narrar a história com livros infantis.  
. Trabalhar em histórias (A e B) é, após narrar a história, trabalhar a mesma, por exemplo: os alunos narram o que aconteceu na história, dramatizam ou trabalham os jogos educativos que se relacionam com a história;
. Gramática de Libras (A) é trabalhar as configurações das mãos, jogos das mãos, o que se relaciona com outro conteúdo Configuração das mãos (A e B), que faz parte separadamente como um conteúdo. Exemplo: configuração da mão é Y, qual é o sinal que tem esta configuração? é avião, ônibus, vaca...
Existe um jogo educativo de Configuração das mãos
. Escrita de Língua de Sinais (A) é a escrita de língua de sinais que usa símbolos para representar as configurações de mão, movimentos, expressões faciais e posicionamento do corpo das línguas sinalizadas.
è Como o currículo B não tem este conteúdo, pode ser que  esta professora surda não tenha formação de Escrita de Língua de Sinais (ELS). 
. LIBRAS X Língua Portuguesa (A e B) trabalha a comparação de Libras e Língua Portuguesa como estrutura das frases.
.  Sequência em Libras (B) é uma forma de trabalho em que se mostram as figuras, organiza as mesmas em ordem, no começo até o fim, e os alunos devem expressar o que acontece em cada sequência da história.
. Conhecimentos com sinais em lugares (B), ensinar e explicar sinais dos locais, por exemplo:  banco -  tem vários bancos como Banco do Brasil, Banrisul, etc...  
. Expressões faciais (B): trabalhar a intensidade das expressões faciais como emoções e em afirmações. 
. Expressões corporais (B): trabalhar a expressão do corpo, também trabalhar a intensidade como afirmações.  
Segundo grupo de conteúdos é Cultura Surda; contém, em primeiro lugar, o conteúdo História do surdo (A e B), em que se trabalham os acontecimentos do povo surdo, na linha do tempo, os movimentos surdos, etc...
. Cultura Surda (A e B): mostra-se qual é a diferença de cultura surda e ouvinte, a importância de ter identidades,  poder, etc...
. Piada Surda (A e B): trabalha-se com piadas próprias da cultura surda, para que os alunos possam criá-las ou expressá-las. 
è Este grupo mostrou os elementos que os surdos intelectuais têm discutido no currículo com uma Perspectiva Surda. 
Terceiro grupo de conteúdos tem alguns conteúdos que são mais propriamente de metodologia, de como trabalhar para desenvolver vocabulário e LSB. 
. Descrição de figuras (A e B): deve-se descrever cada detalhe de objetos em figuras ou usar classificadores nas figuras, ajudando no treino de CL;
. Jogos (A e B): abrange jogos como Memória, alguns jogos educativos de Libras como Kit Libras é Legal e Brinquelibras e, ainda, jogos nos computadores;
. Conversas (B): conversar com os alunos surdos, para aperfeiçoar comunicação, melhorar a estrutura de Libras, trabalhar ideias, conselhos, etc...;
. Narrativa de figuras (B): narrar o que está representado nas figuras;
. Teatro (B): trabalhar a expressão dramática; inventar uma história, depois apresentar o teatro, sabendo qual é a diferença entre LSB e dramatizar;
. Ditados em Libras (B): há várias modalidades de trabalho, como: o professor usa um sinal e o aluno desenha no quadro seu significado; o professor usa soletração, a criança deve fazer  o sinal correspondente, ou ao contrário, o professor faz o sinal e a  criança soletra.  
Outros conteúdos são mais difíceis de explicar, porque pertencem ao currículo em geral e não são específicos da cultura surda.
. Valores (A) compreende conselhos relativos a comportamento, postura, atitudes formais e informais, higiene, etc...;
. Arquitetura da escola (A e B) não é conteúdo muito usado e compreende apenas explicar os diversos espaços do colégio, como onde fica a sala de direção ou supervisora ou secretária, quantos banheiros têm, etc. Pode ser trabalhado apenas três vezes por ano;
. Sinais Visuais (A): este conteúdo era desconhecido até pelas  professoras entrevistadas; não existe no currículo B, pois a professora não o conhecia e retirou-o.



















REFERÊNCIAS  citadas na pesquisa de Carolina
JOKINEN, Markku. Alguns pontos de vista sobre a educação dos surdos nos países nórdicos. In: SKLIAR, Carlos (org.) Atualidade da Educação Bilíngue para surdos. Porto Alegre: Editora Mediação, 1999. v.1, p.105-126. 
LUNARDI, Márcia. Educação de surdos e currículo: um campo de lutas e conflitos. Dissertação de Mestrado. Porto Alegre: UFRGS/FACED/PPGEDU, 1998.
MACEDO,Roberto Sidnei.Currículo:campo,conceito e pesquisa.5ºed.revista e atualizada.Petrópolis,RJ:Vozes,2012.
MOURA, Maria Cecilia de.  O surdo, caminhos para uma nova identidade.   Rio de Janeiro: Ed. Revinter,  2000.  
PERLIN, Gládis; MIRANDA, Wilson. Surdos: o narrar e a política. Estudos Surdos  Ponto de Vista: Revista de Educação e Processos Inclusivos nº 5, UFSC/ NUP/CED, Florianópolis, 2003. 
QUADROS, Ronice Muller. Educação de surdos - a Aquisição da Linguagem. Porto Alegre: Editora Artmed, 1997.   
REICHERT, André et al. Língua de Sinais no currículo da Escola Especial. Logos. Canoas, v.10,n.2, jul/dez. 1998. 
Sá, Nídia Regina Limeira de. Cultura, poder e educação de surdos. São Paulo: Paulinas, 2006. 
SILVA, Tomaz Tadeu da. Antropologia do ciborgue - as vertigens do pós-humano. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.
SILVEIRA,Carolina Hessel. Curículo de Língua de Sinais na Educação de Surdos Dissertação disponível em:
SKLIAR, Carlos.  A SURDEZ, um olhar sobre as diferenças. Porto Alegre: Editora Mediação, 1998.
SKLIAR, Carlos; LUNARDI, Márcia Lise. Estudos Surdos e Estudos Culturais em Educação. In: LACERDA, Cristina B.F. de;  GES, Maria  Cecília R. de (orgs.) Surdez  processos educativos e subjetividade. São Paulo: Editora Lovise, 2000.
THOMA, Adriana da Silva. A inversão epistemológica da anormalidade surda na pedagogia do cinema. In: THOMA, Adriana da Silva; LOPES, Maura Corcini (orgs.) A Invenção da surdez: cultura, alteridade, identidades e diferença no campo da educação. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2004.  
VEIGA-NETO, Alfredo. Currículo e conflitos. In: MORAES, Vera Regina Pires (org.) Melhoria do Ensino e Capacitação Docente. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1996. 

 

 

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